
Investigadores avaliam que esse mecanismo teria permitido a transferência de vantagens indevidas a agentes públicos, políticos e integrantes de altas cortes do Judiciário sem a necessidade de circulação de dinheiro em espécie.
A Polícia Federal reforçou a equipe de agentes e peritos responsáveis por analisar cartões de crédito corporativos administrados pelo Banco Master, em uma nova frente da operação Compliance Zero. A investigação busca identificar beneficiários, despesas e estabelecimentos ligados aos cartões, que teriam sido usados em um suposto esquema de propinas com valores bilionários, informa o jornal O Tempo.
Os cartões surgiram no curso das apurações sobre crimes investigados na operação Compliance Zero. A força-tarefa apreendeu um amplo volume de materiais, que ainda será submetido a exames periciais detalhados para rastrear a origem, o destino e a finalidade das movimentações.
A PF trabalha para identificar cada beneficiário dos cartões e os locais onde as despesas foram realizadas. Investigadores avaliam que esse mecanismo teria permitido a transferência de vantagens indevidas a agentes públicos, políticos e integrantes de altas cortes do Judiciário sem a necessidade de circulação de dinheiro em espécie.
Além dos cartões corporativos, a investigação também analisa operações de crédito feitas pela instituição. Entre os casos sob apuração está um empréstimo de R$ 140 milhões destinado à cunhada do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sem registro de pagamento de parcelas.
O inquérito também examina um episódio ocorrido em Londres. Motta teria sido visto ao lado de Vorcaro, de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma ocasião na qual a conta, supostamente paga pelo banqueiro, teria chegado a R$ 3,6 milhões.
A expectativa dos investigadores é que a análise do conjunto documental revele um dos maiores grupos de envolvidos já identificados em uma apuração de corrupção no país. O número de investigados já ultrapassaria 400 pessoas, com possibilidade de inclusão de novos nomes à medida que a perícia avance.
O ministro André Mendonça está à frente das investigações e defende uma apuração célere, técnica e consistente. A meta da força-tarefa é reunir elementos capazes de sustentar as conclusões do inquérito e identificar o maior número possível de envolvidos em uma única operação policial.
Dezenas de policiais federais foram deslocados para reforçar a operação Compliance Zero e estão dedicados exclusivamente ao caso. A previsão é que a primeira etapa da investigação seja concluída até o fim de junho.
O resultado das apurações pode ter impacto direto sobre candidatos a cargos eletivos e sobre mandatos em curso. Caso as suspeitas sejam confirmadas, a investigação pode abrir caminho para pedidos de cassação e outras medidas legais contra os envolvidos.
Advogados especializados em acordos de colaboração premiada têm orientado clientes a buscar a autodenúncia. A estratégia teria como objetivo reduzir riscos de prisão, multas e sanções restritivas, mediante a devolução de valores obtidos por meio dos cartões corporativos do Banco Master.





