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PF vê uso de verba da Câmara em carro da filha de Sóstenes

De acordo com o relatório da PF, em março de 2024 um assessor de Sóstenes ofereceu ao deputado um veículo para locação. O automóvel, um Toyota Corolla Cross, foi entregue na residência do parlamentar.

PF vê uso de verba da Câmara em carro da filha de Sóstenes

Procurado, o deputado não comentou especificamente a suspeita de que o veículo pago com recursos públicos teria sido utilizado por sua filha.

A Polícia Federal (PF) investiga se o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), utilizou recursos da cota parlamentar para custear o aluguel de um veículo que seria usado por sua filha. Segundo o jornal O Globo, a suspeita consta de um relatório encaminhado pela corporação ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Rent a Car, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos.

A nova fase da operação foi deflagrada na quarta-feira (1º), tendo o parlamentar entre os alvos das diligências. Além da suspeita relacionada ao aluguel do automóvel, a Polícia Federal também investiga a origem de R$ 468,7 mil em espécie apreendidos com o deputado em uma fase anterior da operação.

De acordo com o relatório da PF, em março de 2024 um assessor de Sóstenes ofereceu ao deputado um veículo para locação. O automóvel, um Toyota Corolla Cross, foi entregue na residência do parlamentar.

Após analisar registros obtidos durante a investigação, a Polícia Federal concluiu que há indícios de que o veículo era utilizado pela filha de Sóstenes. Para os investigadores, existem elementos que apontam que o aluguel foi custeado com recursos da cota parlamentar destinada ao exercício do mandato.

Outra frente da investigação diz respeito aos R$ 468,7 mil em dinheiro vivo apreendidos com o parlamentar em dezembro do ano passado.

Na ocasião, Sóstenes afirmou que os valores eram provenientes da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG). A Polícia Federal, porém, afirma ter identificado contradições entre essa versão e os elementos reunidos durante as investigações.

Segundo o relatório, duas empresas do setor da construção civil e dois irmãos estariam ligados ao dinheiro apreendido. A corporação informou que chegou ao grupo investigado após analisar etiquetas bancárias encontradas junto aos valores em espécie.

Ainda conforme a Polícia Federal, as apurações identificaram uma “complexa movimentação financeira” envolvendo as empresas investigadas, com recebimento de recursos públicos e sucessivos saques em dinheiro vivo.

Esses elementos passaram a integrar o conjunto de provas analisadas na Operação Rent a Car, que busca esclarecer a eventual existência de um esquema de desvio de recursos públicos.

Em entrevista, Sóstenes Cavalcante negou qualquer irregularidade e reiterou que o dinheiro apreendido teve origem na venda do imóvel em Minas Gerais.

“Uma dessas pessoas (alvos da operação) foi o comprador do imóvel (a que ele atribui o dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação à vontade, quem não deve não teme”, afirmou o parlamentar.