
“Não tem tema proibido. Então, todos os temas tarifários e não tarifários podem e devem ser colocados. Nós temos tudo para ir para um ganha-ganha".
A retomada das conversas entre Brasil e Estados Unidos nesta segunda-feira abre, na avaliação do vice-presidente Geraldo Alckmin, uma oportunidade para os dois países avançarem em um acordo comercial de benefício mútuo, apesar das tensões provocadas pelas tarifas impostas a produtos brasileiros. As informações são do jornal O Globo.
“Não tem tema proibido. Então, todos os temas tarifários e não tarifários podem e devem ser colocados. Nós temos tudo para ir para um ganha-ganha. O maior parceiro comercial do Brasil é a China. É quem mais compra os produtos brasileiros. Mas quem mais compra manufatura, o produto industrial, são os Estados Unidos, que também são o maior investidor no Brasil. Temos quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Precisamos ir para um ganha-ganha. Esse é o esforço e é nisso que o governo está empenhado”, afirmou o vice-presidente durante a abertura do Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual.
Alckmin classificou as tarifas como injustificáveis e indicou que o Brasil vê espaço para uma negociação mais ampla com Washington. A avaliação do governo é que a relação econômica bilateral tem peso estratégico, especialmente porque os Estados Unidos são o principal destino de produtos industriais brasileiros e concentram forte presença empresarial no país.
“A eleição são 60 dias mesmo, incluindo o segundo turno. Então, é manter a mesa de negociação, aprofundar o debate tanto do ponto de vista tarifário como não tarifário. Você tem aí oportunidades”, disse.
Entre os temas citados por Alckmin está o Redata, projeto voltado ao estímulo à instalação de data centers no Brasil e que deve ser analisado no esforço concentrado do Congresso nesta semana. O vice-presidente afirmou que a medida pode atrair grande volume de investimentos ao país e despertar interesse direto dos Estados Unidos.
“Vou dar um exemplo: deve ser votado esta semana o Redata, que vai estimular a vinda de data centers para o Brasil. Os Estados Unidos têm interesse. Isso pode trazer R$ 1 trilhão de investimentos para o Brasil em data centers. O Brasil tem energia renovável e abundante, mas tem um problema de excesso, até de energia, em muitas áreas”, afirmou.
“No livre comércio, ganha a sociedade. Eu sou mais competitivo num setor, vendo para você; você é mais competitivo em outra área, vende para mim produtos mais baratos e de melhor qualidade. Você estimula a competitividade, é um ganha-ganha, ganha a sociedade”, declarou.
O vice-presidente ponderou, no entanto, que a abertura comercial precisa ocorrer dentro de regras. Nesse contexto, defendeu o papel da Organização Mundial do Comércio e afirmou que o Brasil recorre a instrumentos de defesa comercial, como medidas antidumping, quando há práticas consideradas desleais ou impactos sobre emprego e renda.
“Agora, precisa ter regras. Por isso, nós defendemos a OMC. E, no momento em que há protecionismo e uma defesa muito forte do emprego e da renda das empresas, especialmente no período pós-Covid, nós acionamos a defesa comercial, que está dentro da regra. Então, acionamos o antidumping”, disse.





