
A intervenção integra o pacote de investimentos da concessionária RioSP, empresa da Motiva, na Via Dutra e na Rio-Santos, que soma R$ 15 bilhões.
A primeira fase das obras da nova pista da Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra, entre Piraí e Paracambi, no Rio de Janeiro, foi entregue nesta terça-feira (23), com a presença do presidente Lula (PT). O empreendimento, apoiado pelo BNDES, é apontado como a maior obra de infraestrutura rodoviária em execução no país e já alcança avanço físico próximo de 70%.
A intervenção integra o pacote de investimentos da concessionária RioSP, empresa da Motiva, na Via Dutra e na Rio-Santos, que soma R$ 15 bilhões. O apoio financeiro do BNDES chega a R$ 10,7 bilhões, sendo R$ 1,34 bilhão em financiamento direto e R$ 9,41 bilhões por meio de emissão estruturada de debêntures incentivadas. Desse total, R$ 4,25 bilhões já foram liberados.
Lula também destacou a função do BNDES no financiamento de projetos estruturantes. “Um banco de desenvolvimento serve exatamente para emprestar dinheiro para as empresas fazerem as obras que o país precisa”, completou.
O novo traçado terá 8 quilômetros de extensão em cada sentido, com pistas de subida e descida, acostamentos e faixas de segurança. A obra busca solucionar um dos principais gargalos logísticos da Via Dutra, corredor essencial para o transporte de cargas e passageiros entre Rio de Janeiro e São Paulo.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a Dutra tem peso estratégico para a economia nacional. “A Dutra recebe metade do PIB brasileiro, metade da economia brasileira depende dessa rodovia. Quanto mais lento o tráfego, menos eficiência, menos produtividade e mais custo, menos emprego, menos salários, menos progresso. Então, reestruturar a Dutra em mais 600 quilômetros, com mais pistas, mais acessos, recuos para caminhões trafegarem com segurança é uma mudança de qualidade em todo o desenvolvimento do Brasil. Essa é a maior obra de infraestrutura rodoviária do país”, declarou.
As obras começaram em abril de 2024 e tinham previsão contratual de conclusão em 2029. Com a intensificação das frentes de trabalho, atualmente 34 em operação, o cronograma foi antecipado, e a entrega total passou a ser prevista para 2027, dois anos antes do prazo inicialmente estabelecido.
Mercadante avaliou que a antecipação demonstra a eficiência da modelagem financeira e operacional do projeto. “Trata-se de uma obra estruturante no âmbito do Novo PAC, do governo do presidente Lula, que vai reduzir em 25% o tempo de subida e em 50% o tempo de descida, mitigando gargalos logísticos no eixo mais importante do país e aumentando a competitividade da economia brasileira”, afirmou.
O projeto completo da nova Serra das Araras prevê quatro faixas de rolamento na pista de subida, sentido São Paulo, e quatro faixas na pista de descida, sentido Rio de Janeiro. Também estão previstas 24 estruturas de viadutos, três passarelas voltadas à segurança de moradores da região e duas rampas de escape na pista de descida, destinadas principalmente aos caminhoneiros.
A nova configuração ainda prevê limite de velocidade de 80 km/h, medida que deve contribuir para a redução do tempo de viagem e para maior fluidez no trecho. Quando concluídas, as pistas devem ampliar a capacidade da rodovia, reduzir riscos de acidentes e melhorar a previsibilidade do transporte no eixo Rio-São Paulo.
A diretora-presidente da RioSP, Carla Fornasaro, afirmou que o empreendimento representa uma mudança estrutural para a principal ligação rodoviária entre as duas maiores economias do país. “A nova Serra das Araras é uma transformação estrutural para a Via Dutra e para o país”, disse.
Além da Serra das Araras, a concessão já realizou intervenções relevantes na Grande São Paulo. Em setembro do ano passado, foram liberadas novas faixas adicionais e vias marginais no trecho entre Guarulhos e São Paulo, uma das áreas de tráfego mais intenso do país.
Entre as entregas já em operação está a ampliação da pista expressa da Dutra, que passou a contar com três faixas por sentido entre a Rodovia Hélio Smidt, no quilômetro 219, e a chegada à capital paulista, no quilômetro 231. O acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos também foi melhorado com a construção de um novo viaduto.
As obras incluíram ainda uma nova ligação com o viaduto do Tatuapé, facilitando o acesso à Zona Leste de São Paulo, além de três novos viadutos de conexão entre a Via Dutra e a Rodovia Fernão Dias. Também foram implantadas pistas marginais e um dispositivo de retorno na região da Jacu Pêssego, com impacto sobre a circulação local e o acesso a bairros como Bonsucesso.
No trecho de São José dos Campos, região de forte atividade econômica, as obras do terceiro ano da concessão já foram concluídas. As entregas incluem ampliação para quatro faixas por sentido, implantação de vias marginais, iluminação e novas passarelas.
Os investimentos na Dutra também têm impacto sobre a geração de empregos. Nos três primeiros anos, foram criados cerca de 7 mil postos diretos e indiretos ao longo da rodovia. Apenas na obra da nova Serra das Araras, mais de 2 mil trabalhadores estão envolvidos.
O financiamento do BNDES contempla investimentos em operação, recuperação, ampliação de capacidade e melhorias em 625,8 quilômetros de malha rodoviária concedida. O pacote inclui 355,5 quilômetros da Dutra, entre São Paulo e Seropédica, no Rio de Janeiro, e 270,3 quilômetros da Rio-Santos, entre o Rio de Janeiro e Ubatuba.
O projeto conecta 34 municípios, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, os dois maiores polos econômicos do país. A área de influência reúne 60 milhões de pessoas e responde por 41% do PIB brasileiro.
Entre as intervenções previstas estão a expansão de 40% na capacidade das rodovias, a duplicação de 80 quilômetros da Rio-Santos entre Mangaratiba e Angra dos Reis, a adoção do pedágio eletrônico free flow na Região Metropolitana de São Paulo e a implantação de mais de 600 quilômetros de faixas adicionais.
A operação é considerada uma das principais do BNDES no setor de infraestrutura rodoviária. Com a recuperação do pavimento, a modernização da sinalização e as melhorias operacionais, os efeitos das obras já começam a ser percebidos pelos usuários, com viagens mais seguras, eficientes e previsíveis.
A Motiva, controladora da RioSP, é a maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil. A companhia atua em rodovias, trilhos e aeroportos, com 37 ativos em 13 estados brasileiros e 16 mil colaboradores. Em rodovias, administra e mantém 5.044 quilômetros, realizando cerca de 3,6 mil atendimentos por dia.
No setor de trilhos, por meio da gestão de metrôs, trens e VLT, a empresa transporta 750 milhões de passageiros por ano. Em aeroportos, opera 17 unidades no Brasil e três no exterior, atendendo aproximadamente 45 milhões de clientes anualmente.
A companhia foi a primeira a abrir capital no Novo Mercado da B3 e integra há 15 anos o índice de sustentabilidade da bolsa brasileira. A nova etapa da Serra das Araras se soma a esse conjunto de investimentos e reforça o papel da Dutra como eixo estratégico para a mobilidade, a logística e o desenvolvimento econômico nacional.





