
Em carta enviada aos dirigentes globais, o presidente da Fifa defendeu a transação como uma “oportunidade financeira singular e única” e afirmou ser seu “dever e responsabilidade apresentar oportunidades transformadoras” para os membros do organismo.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estabeleceu um prazo sumário de 53 dias — fixado para o dia 19 de setembro — para que as 211 federações de futebol filiadas à entidade aceitem uma proposta de venda de participação nos direitos comerciais das próximas edições da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes para investidores privados, informa o jornal britânico The Telegraph.
Para convencer os dirigentes das associações nacionais a respaldarem o plano, Infantino ofereceu um pacote financeiro agressivo: as federações que votarem a favor do projeto receberão um pagamento único e imediato de US$ 20 milhões, além do aumento do repasse do programa Fifa Forward de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no ciclo comercial ligado ao Mundial de 2030. Com isso, os países favoráveis à medida somariam US$ 40 milhões em receitas extras. Por outro lado, Infantino advertiu que os membros que rejeitarem a proposta ficarão restritos aos US$ 10 milhões estipulados originalmente para o período de quatro anos.
Em carta enviada aos dirigentes globais, o presidente da Fifa defendeu a transação como uma “oportunidade financeira singular e única” e afirmou ser seu “dever e responsabilidade apresentar oportunidades transformadoras” para os membros do organismo.
A Uefa reagiu de forma contundente ao projeto comercial, declarando publicamente que a Copa do Mundo “não pertence à Fifa para ser vendida” e convocando uma reunião de emergência com suas 55 federações europeias filiadas para articular uma postura em bloco. Posicionamentos críticos também foram emitidos pela Concacaf, que manifestou profunda preocupação com a “ausência do devido processo legal e de governança”, e pela Confederação Asiática de Futebol (AFC), que lamentou o fato de um tema de tamanha gravidade ter vindo a público antes de ser debatido no âmbito das federações continentais.
Além de dirigentes esportivos, lideranças políticas manifestaram oposição ao plano, argumentando que a entrada do capital privado compromete a essência do esporte. “O futebol não pertence a investidores. Uma vez comercializada uma parte do torneio, vende-se a sua própria integridade. O futebol pertence aos torcedores”, declarou o premiê britânico Andy Burnham.
A proposta de comercialização de fatias da Copa do Mundo junta-se a uma série de projetos controversos promovidos por Gianni Infantino durante seus 11 anos de mandato na Fifa, marcada por um modelo centralizador de gestão e por atritos frequentes com as confederações regionais e ligas nacionais.





