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Infantino impõe prazo de 53 dias para federações aceitarem venda de fatia da Copa do Mundo

Em carta enviada aos dirigentes globais, o presidente da Fifa defendeu a transação como uma “oportunidade financeira singular e única” e afirmou ser seu “dever e responsabilidade apresentar oportunidades transformadoras” para os membros do organismo.

Infantino impõe prazo de 53 dias para federações aceitarem venda de fatia da Copa do Mundo

Em carta enviada aos dirigentes globais, o presidente da Fifa defendeu a transação como uma “oportunidade financeira singular e única” e afirmou ser seu “dever e responsabilidade apresentar oportunidades transformadoras” para os membros do organismo.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estabeleceu um prazo sumário de 53 dias — fixado para o dia 19 de setembro — para que as 211 federações de futebol filiadas à entidade aceitem uma proposta de venda de participação nos direitos comerciais das próximas edições da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes para investidores privados, informa o jornal britânico The Telegraph.

A iniciativa prevê a criação de uma subsidiária comercial da Fifa avaliada em US$ 20 bilhões, na qual 20% do capital seria transferido para fundos de investimentos privados. O projeto é capitaneado pela gestora Thrive Capital, pertencente ao investidor Joshua Kushner — irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump —, sob a coordenação do banco J.P. Morgan.

Para convencer os dirigentes das associações nacionais a respaldarem o plano, Infantino ofereceu um pacote financeiro agressivo: as federações que votarem a favor do projeto receberão um pagamento único e imediato de US$ 20 milhões, além do aumento do repasse do programa Fifa Forward de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no ciclo comercial ligado ao Mundial de 2030. Com isso, os países favoráveis à medida somariam US$ 40 milhões em receitas extras. Por outro lado, Infantino advertiu que os membros que rejeitarem a proposta ficarão restritos aos US$ 10 milhões estipulados originalmente para o período de quatro anos.

Em carta enviada aos dirigentes globais, o presidente da Fifa defendeu a transação como uma “oportunidade financeira singular e única” e afirmou ser seu “dever e responsabilidade apresentar oportunidades transformadoras” para os membros do organismo.

A Uefa reagiu de forma contundente ao projeto comercial, declarando publicamente que a Copa do Mundo “não pertence à Fifa para ser vendida” e convocando uma reunião de emergência com suas 55 federações europeias filiadas para articular uma postura em bloco. Posicionamentos críticos também foram emitidos pela Concacaf, que manifestou profunda preocupação com a “ausência do devido processo legal e de governança”, e pela Confederação Asiática de Futebol (AFC), que lamentou o fato de um tema de tamanha gravidade ter vindo a público antes de ser debatido no âmbito das federações continentais.

Além de dirigentes esportivos, lideranças políticas manifestaram oposição ao plano, argumentando que a entrada do capital privado compromete a essência do esporte. “O futebol não pertence a investidores. Uma vez comercializada uma parte do torneio, vende-se a sua própria integridade. O futebol pertence aos torcedores”, declarou o premiê britânico Andy Burnham.

A proposta de comercialização de fatias da Copa do Mundo junta-se a uma série de projetos controversos promovidos por Gianni Infantino durante seus 11 anos de mandato na Fifa, marcada por um modelo centralizador de gestão e por atritos frequentes com as confederações regionais e ligas nacionais.