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EUA e Arábia Saudita lançam ataques conjuntos contra forças ligadas ao Irã no Iraque

Segundo informações fornecidas pelas Forças de Mobilização Popular do Iraque — poderosos grupos paramilitares apoiados por Teerã e integrados às forças de segurança oficiais do país —, os bombardeios norte-americano-sauditas atingiram diversas bases espalhadas pelo território iraquiano.

EUA e Arábia Saudita lançam ataques conjuntos contra forças ligadas ao Irã no Iraque

Pouco antes de deflagrar a operação conjunta no Iraque, as Forças Armadas dos EUA relataram que seus sistemas de defesa aérea conseguiram neutralizar uma tentativa de ataque surpresa arquitetada pelo Irã contra posições de tropas norte-americanas instaladas no Oriente Médio.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita realizaram, nesta quarta-feira (29), uma série de ataques aéreos conjuntos contra grupos armados apoiados pelo Irã em território iraquiano. A operação marca a primeira grande ação militar dos EUA na região desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu na última sexta-feira (24) uma intensa campanha de bombardeios que durou 13 dias, interrompida após alertas de comandantes militares de que a estratégia havia atingido seu limite. A investida conjunta e a consequente escalada nas hostilidades ocorrem em meio a reveses na diplomacia regional, informa a agência Reuters.

A ação militar também representa a primeira vez, ao longo do atual conflito, em que o governo da Arábia Saudita declarou publicamente sua participação direta em ataques operados ao lado das forças dos EUA. O envolvimento ostensivo da Arábia Saudita, nação de maioria muçulmana sunita, contra forças aliadas xiitas do Irã abre uma nova frente de combate e ameaça ampliar ainda mais a dimensão geográfica da guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em fevereiro.

Segundo informações fornecidas pelas Forças de Mobilização Popular do Iraque — poderosos grupos paramilitares apoiados por Teerã e integrados às forças de segurança oficiais do país —, os bombardeios norte-americano-sauditas atingiram diversas bases espalhadas pelo território iraquiano. O balanço inicial divulgado pela organização indica pelo menos 20 combatentes mortos e 32 feridos. Em Mossul, no norte do Iraque, imagens transmitidas pela emissora local Al-Ahad mostraram homens iraquianos carregando sacos mortuários com os corpos dos combatentes mortos em direção externa a um hospital, enquanto entoavam slogans sectários xiitas e gritos de “Morte à América!”.

Washington e Riad justificaram a ofensiva afirmando que a operação foi uma retaliação a recentes ataques com drones lançados a partir do solo iraquiano contra instalações e alvos petrolíferos em território saudita. O cenário coloca o governo do Iraque, liderado por xiitas, em uma posição de extrema delicadeza. Sendo um dos poucos governos no mundo a manter laços militares e diplomáticos estreitos simultaneamente com Teerã e Washington, a administração iraquiana convocou uma reunião de emergência para tratar da crise. Há anos a Casa Branca pressiona Bagdá a conter e reprimir a atuação dos grupos paramilitares ligados ao Irã, mas tentativas anteriores nesse sentido geraram graves convulsões sociais internas.

A Arábia Saudita também se vê enredada no conflito em outra frente geopolítica. Na semana passada, o movimento houthi, alinhado ao Irã e atuante no Iêmen, anunciou a imposição de um bloqueio às exportações de petróleo saudita no Mar Vermelho, disparando projéteis e atacando navios e infraestruturas energéticas da região.

Pouco antes de deflagrar a operação conjunta no Iraque, as Forças Armadas dos EUA relataram que seus sistemas de defesa aérea conseguiram neutralizar uma tentativa de ataque surpresa arquitetada pelo Irã contra posições de tropas norte-americanas instaladas no Oriente Médio. Paralelamente, as Forças Armadas da Jordânia informaram ter interceptado e abatido cinco mísseis iranianos direcionados ao seu território. A Jordânia tornou-se um dos principais pontos de vulnerabilidade para as forças dos EUA: das quatro baixas militares norte-americanas registradas este mês, três ocorreram em bases situadas no país árabe.

Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou o disparo de múltiplos mísseis balísticos contra instalações militares dos Estados Unidos localizadas na Jordânia. O comando militar iraniano declarou ainda ter atingido três navios petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz utilizando rotas não autorizadas pelas autoridades locais.

Na tentativa de mediar a crise, o Sultanato de Omã apresentou uma proposta para estabelecer uma gestão regional compartilhada no estreito, contando com a adesão de países do Golfo Pérsico e a cobrança de taxas de serviço de caráter voluntário. Contudo, uma alta autoridade do governo iraniano confirmou que Teerã rejeitou formalmente o plano omanense, classificando o termo como “irracional”.

De acordo com o integrante do governo iraniano, um arranjo de controle conjunto dividido em proporção 50-50 com Omã não atende aos interesses nacionais de Teerã, muito embora o país considere o vizinho omamense um parceiro diplomático valioso. O pleito iraniano exige o controle exclusivo sobre a rota marítima de entrada do estreito e o domínio parcial sobre a rota de saída.

Enquanto a via segue sob tensão, os Estados Unidos têm recomendado que os navios de navegação comercial adotem rotas mais próximas à costa de Omã para evitar a proximidade com o litoral iraniano. Em contrapartida, a Marinha da Guarda Revolucionária reafirmou em comunicado que mantém o controle irrestrito do estreito e prometeu agir com rigor contra qualquer “interferência militar ilegal dos EUA”.

Os contratos futuros do petróleo tipo Brent subiram 4,6%, sendo cotados a quase US$ 88 o barril nas primeiras horas da manhã. A cotação, que chegou a ultrapassar brevemente a barreira dos US$ 100 na semana passada — feito inédito desde maio —, havia recuado para a casa dos US$ 85 nos últimos dias na expectativa do cessar-fogo dos bombardeios por parte de Washington, cenário desfeito com os novos eventos no Iraque.