
“É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) presta depoimento à Polícia Federal (PF) às 14h desta terça-feira (28), no âmbito do inquérito que apura a suposta prática de crime de calúnia contra o presidente Lula (PT).
A apuração sobre o parlamentar foi instaurada no STF em abril de 2026, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), a partir de uma publicação realizada por Flávio Bolsonaro na rede social X (antigo Twitter) no dia 3 de janeiro de 2026. Na ocasião, o senador comentou o sequestro do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos.
Na publicação investigada, o senador associou diretamente a imagem do presidente da República à do líder venezuelano e declarou que “Lula será delatado”. Na mesma postagem, o filho de Jair Bolsonaro (PL) atribuiu a Lula a prática de uma série de condutas delituosas, afirmando: “É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.
Com a conclusão do relatório policial, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a necessidade de ouvir o investigado antes do prosseguimento da tramitação da ação. Em manifestação enviada ao relator, Gonet destacou que a legislação penal prevê que os crimes contra a honra, como calúnia e difamação, admitem a retratação cabal das ofensas, mecanismo legal capaz de isentar o acusado de eventual pena.
Com base no parecer do Ministério Público Federal, o ministro Alexandre de Moraes determinou o retorno dos autos à PF para a realização da oitiva.
Durante a instrução do inquérito, os advogados de Flávio Bolsonaro argumentaram que não havia urgência na realização do depoimento, alegando que o suposto delito só prescreveria em janeiro de 2036 — oito anos após a postagem. A defesa também justificou as dificuldades de agendamento em razão do “exíguo prazo” e dos compromissos decorrentes da pré-campanha do parlamentar à Presidência da República.
O pedido, contudo, foi indeferido por Alexandre de Moraes, que ponderou que a definição de diligências cabe aos órgãos de investigação, não sendo admissível a tentativa do investigado de pautar a condução do inquérito.
Após a realização do depoimento nesta terça-feira, o relatório atualizado será encaminhado novamente ao gabinete do ministro relator. Caberá então à Primeira Turma do STF analisar o caso e decidir se acolhe eventual denúncia do Ministério Público Federal para transformar o senador em réu ou se determina o arquivamento do processo.





