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EUA suspendem serviços consulares no Brasil e alega “questões de segurança”

Representantes da Abin alertaram autoridades da França e da Alemanha sobre suspeitas de interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras de 2026. O aviso ocorreu durante uma visita de delegações europeias a Brasília neste mês.

EUA suspendem serviços consulares no Brasil e alega “questões de segurança”

O Departamento de Estado dos Estados Unidos não se manifestou publicamente. Apesar do silêncio recente, o órgão americano negou, em manifestações anteriores, que Washington tenha qualquer intenção de interferir na eleição brasileira.

O governo dos Estados Unidos suspendeu os serviços consulares em todo o Brasil a partir desta sexta-feira (02), alegando questões de segurança. A medida atinge a Embaixada em Brasília e os consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

Em nota, o governo estadunidense afirmou que “os serviços consulares na Embaixada e nos Consulados dos EUA no Brasil serão suspensos a partir de sexta-feira, 2 de outubro, devido a questões de segurança”. Os funcionários receberam orientação para trabalhar de casa, e o comunicado não prevê data para a reabertura dos postos.

Os EUA orientaram seus cidadãos que precisem de atendimento emergencial a não comparecer às instalações diplomáticas durante a suspensão. A nota recomenda que essas pessoas procurem o oficial de plantão responsável pelos canais telefônicos e eletrônicos informados pelo governo.

A decisão surpreendeu integrantes do governo brasileiro, diplomatas e servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Representantes da Abin alertaram autoridades da França e da Alemanha sobre suspeitas de interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras de 2026. O aviso ocorreu durante uma visita de delegações europeias a Brasília neste mês.

O primeiro turno do pleito está marcado para domingo (4), em uma disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Um relatório elaborado por um participante das reuniões, consultado pela agência Reuters, citou as preocupações da inteligência brasileira. Integrantes da Abin afirmaram que a atuação americana vai desde a instrumentalização do sistema jurídico até a interferência admitida abertamente.

A visita diplomática ocorreu entre os dias 9 e 11 de setembro, reunindo autoridades do Brasil com uma comissão da União Europeia. O foco principal dos encontros foi discutir a aplicação da Lei de Serviços Digitais do bloco europeu. Essa legislação impõe às plataformas digitais a obrigatoriedade de adotar medidas rígidas contra conteúdos ilegais e nocivos.

O planejamento da comissão estrangeira também previa a preparação de respostas coordenadas antes do processo eleitoral de 2026. A comitiva contou com a participação de representantes franceses da Viginum, agência dedicada à detecção de desinformação estrangeira, e da Arcom, reguladora de mídia e comunicações, além de autoridades da Agência Federal de Redes da Alemanha.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos não se manifestou publicamente. Apesar do silêncio recente, o órgão americano negou, em manifestações anteriores, que Washington tenha qualquer intenção de interferir na eleição brasileira.

A Abin e a embaixada da Rússia em Brasília também não se manifestaram sobre o caso. Moscou já havia negado interferências em pleitos de outros países anteriormente.