×

Em entrevista à Ana Maria Braga, Alckmin diz que 36% das exportações aos EUA serão afetadas pelo tarifaço

Alckmin afirmou que os gastos de apoio aos trabalhadores podem ser excluídos da meta fiscal. Mesmo se retiradas do limite de gastos e da meta para as contas públicas, estas despesas elevarão ainda mais a dívida brasileira — já considerada...

Em entrevista à Ana Maria Braga, Alckmin diz que 36% das exportações aos EUA serão afetadas pelo tarifaço

De acordo com o vice-presidente, cerca de 35,9% das exportações brasileiras aos EUA serão afetadas pela tarifa de 50%, anunciada pelo presidente Donald Trump.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que “a negociação [com os EUA] não terminou hoje, ela começa hoje”.

Alckmin avaliou que mesmo após a formalização do tarifaço nesta quarta-feira (30), ainda há espaço para conversas. Segundo ele, o Brasil sempre esteve aberto ao diálogo.

“É um perde-perde. Nos atrapalha em mercado, emprego e crescimento, e encarece os produtos americanos”, afirmou.

Na entrevista, Alckmin também afirmou que os gastos de apoio aos trabalhadores podem ser excluídos da meta fiscal. Mesmo se retiradas do limite de gastos e da meta para as contas públicas, estas despesas elevarão ainda mais a dívida brasileira — já considerada alta para o padrão de países emergentes.

O decreto assinado nesta quarta pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, elevou para 50% a alíquota sobre produtos brasileiros, mas também trouxe uma lista de quase 700 exceções que beneficiam segmentos estratégicos como o aeronáutico, o energético e parte do agronegócio.

De acordo com cálculos da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), com uma lista de exceções de 694 produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos do tarifaço, cerca de 43% das vendas feitas aos norte-americanos no ano passado não foram afetadas.

De acordo com o vice-presidente, cerca de 35,9% das exportações brasileiras aos EUA serão afetadas pela tarifa de 50%, anunciada pelo presidente Donald Trump.

Isso ocorre, segundo ele, porque:

  • 45% dos produtos foram retirados da lista de aumento pelos EUA;
  • Aço e alumínio, que já tinham alíquota de 50%, assim permanecem;
  • Automóvel e autopeças tinham alíquota de 25% dos EUA ao mundo inteiro, e assim continuam.

Alckmin afirmou que os Estados Unidos precisam do café brasileiro, pois são grandes consumidores do produto. Ele adiantou também que vai trabalhar para excluir, além do suco de laranja, outras frutas do tarifaço, como a manga.

“Brasil é o maior exportador de café do mundo, maior produtor do mundo. Vai ter de buscar outros mercados, ou vamos trabalhar com os EUA, pois é um grande consumidor de café. E eles tomam aquele café grandão, eles precisam do nosso café arábica para o blend. Primeiro trabalhar para baixar a tarifa, eles não produzem café”, disse.

Leia matéria completa no G1