×

Antes da votação, Alcolumbre já dizia que Messias cairia por 8 votos

A rejeição impôs a Lula uma derrota histórica. Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado barrou um indicado ao STF. O último precedente ocorreu em 1894, no governo Floriano Peixoto, quando nomes enviados pelo então presidente foram...

Antes da votação, Alcolumbre já dizia que Messias cairia por 8 votos

Davi Alcolumbre, se aproximou do líder do governo na Casa, Jaques Wagner, e fez uma previsão precisa: “Acho que vai perder por 8”.

Pouco antes da votação que barrou Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se aproximou do líder do governo na Casa, Jaques Wagner, e fez uma previsão precisa: “Acho que vai perder por 8”. A frase foi dita no plenário nesta quarta-feira (29), antes da sessão que rejeitou o nome do advogado-geral da União.

O resultado confirmou exatamente a diferença indicada por Alcolumbre. Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários em votação secreta. Para ser aprovado, precisava de ao menos 41 votos entre os 81 senadores. Com a derrota, a indicação foi arquivada.

A rejeição impôs a Lula uma derrota histórica. Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado barrou um indicado ao STF. O último precedente ocorreu em 1894, no governo Floriano Peixoto, quando nomes enviados pelo então presidente foram recusados em meio a uma crise institucional.

Messias havia sido escolhido por Lula para ocupar a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso. Atual advogado-geral da União, ele tem 46 anos, passou quase duas décadas na AGU e comanda o órgão desde o início do terceiro mandato do petista, em 2023.

A indicação enfrentou resistência desde o anúncio, feito em novembro. A escolha contrariou Alcolumbre, que defendia outro nome para a vaga de Barroso, e mobilizou oposição, independentes e senadores da própria base em torno de críticas à proximidade de Messias com o governo e dúvidas sobre sua independência na Corte.

Horas antes da derrota no plenário, Messias havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça por 16 votos a 11. O placar apertado no colegiado já indicava dificuldade para o governo, mas a votação final mostrou uma resistência maior do que a admitida publicamente por aliados do Planalto.

A derrota também amplia o desgaste entre Lula e Alcolumbre. No entorno do presidente, o senador passou a ser tratado como o principal articulador da rejeição ao nome de Messias, em uma disputa que ultrapassou a sabatina e se transformou em confronto político direto entre o Planalto e o comando do Senado.