
O apresentador também declarou: “Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”. Em outro momento, questionou: “Vocês pensam que a dor do parto é fácil?”
O apresentador Ratinho decidiu processar a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) por injúria, calúnia e difamação após ser chamado de “somente um rato” pela parlamentar nas redes sociais. O bolsonarista afirma que a fala atingiu sua honra e extrapolou os limites da crítica política.
O caso tramita na 7ª Vara Criminal de Brasília. Segundo documentos obtidos por Gabriel Vaquer, do F5, da Folha. Ratinho apresentou a denúncia no dia 14 de abril. Três dias depois, a Justiça do Distrito Federal notificou Erika Hilton para prestar esclarecimentos. O apresentador afirma que não comenta processos judiciais.
“Tem tanta mulher, por que vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans”, afirmou. “Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”
O apresentador também declarou: “Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”. Em outro momento, questionou: “Vocês pensam que a dor do parto é fácil?”
Ratinho ainda colocou em dúvida a capacidade de Erika de compreender os problemas e desafios femininos. “Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar”, disse. “Estão exagerando.”
Após a repercussão, Erika reagiu nas redes sociais e classificou o ataque como inadmissível. “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato”, afirmou.
A deputada também processou Ratinho por transfobia e pediu indenização de R$ 10 milhões. Além disso, solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias. O SBT informou que tratou o caso internamente, sem detalhar as medidas adotadas.
O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul ingressou com ação civil contra o apresentador. O órgão sustenta que houve discurso de ódio e desumanização da identidade de gênero da comunidade LGBT+. A Justiça Federal encaminhou o processo para audiência de conciliação. Caso não haja acordo, a ação seguirá para análise judicial.
Ratinho, por sua vez, afirma que fez apenas uma crítica política à parlamentar e que a resposta de Erika colocou em dúvida seu caráter pessoal. Nas redes, ele escreveu: “Defendo a população trans, mas também defendo o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo. E não vou ficar em silêncio”.





