
“Casamento é uma via de mão dupla, os dois têm que contribuir pra dar certo. Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu Geraldo Neto.
O inquérito policial que investiga a morte da PM Gisele Alves Santana, no dia 18 de fevereiro, mostram que o marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito pelo assassinato, reclamava da vida sexual entre os dois.
As mensagens expõem que o tenente-coronel reclamava do tempo que a mulher passava com a filha de sete anos. “Não tenho vida sexual ativa, porque minha esposa só tem tempo e dedicação para a filha”.
Além disso, Geraldo Neto exigia sexo com a companheira, com o argumento de que era o “provedor” da casa, contribuindo com dinheiro. O oficial foi preso na última quarta-feira (18/3), acusado de matar Gisele Santana com um tiro na cabeça.
O inquérito policial obtido pelo Metrópoles revelou que, no dia 2 de fevereiro, o casal teve uma discussão por mensagens. Em um dos envios, o coronel diz que o casamento é uma “via de mão dupla” e que, enquanto ele contribuía com dinheiro, ela deveria retribuir com sexo.
“Casamento é uma via de mão dupla, os dois têm que contribuir pra dar certo. Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu Geraldo Neto.
Na troca de mensagens, Gisele Santana não aceita a alegação do marido, dizendo que não vai trocar sexo por moradia, e sugere uma separação. Posteriormente, Geraldo Neto cita uma ocasião em que ia levar a companheira para jantar para “fazer amor” depois.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro. Um laudo pericial realizado após a exumação do corpo da vítima presente na investigação apontou que os dois tiveram uma relação sexual pouco antes do crime.
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MPSP) no dia 18 de março, uma série de mensagens atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Neto expõe um comportamento “tóxico, autoritário e possessivo” contra a esposa policial militar, Gisele Santana.
Em uma das mensagens, o oficial descreve, de forma explícita, o modelo de relação que esperava manter. Segundo ele, um marido precisa ser “provedor” e a esposa deve ser “carinhosa e submissa”. Com isso, segundo mensagem atribuída ao oficial, “não tem atrito”.
“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu Geraldo Neto.
A denúncia também reproduz frases que reforçam a visão de superioridade do coronel, o qual se autointitula “mais que um príncipe”.
“Sou rei, religioso, honesto, trabalhador, inteligente, saudável, bonito, gostoso, carinhoso, romântico, provedor, soberano”.
Para o MPSP, o conteúdo revela “comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário”, incompatível com a versão pública apresentada pelo oficial após a morte da esposa.
A PM Gisele Alves Santana detalhou a colegas de trabalho o comportamento possessivo e abusivo do marido antes de ser morta na casa onde morava com o tenente-coronal Geraldo Leite Rosa Neto. Em uma das conversas, a policial teria dito que “iria para o tudo ou nada” no dia em que alguma coisa acontecesse. “Ou ele me mata, ou eu mato ele para me proteger”. A conversa foi mencionada nos depoimentos de testemunhas à polícia após a morte da soldado, em 18 de fevereiro.
Aos colegas, ela afirmou que “se sentia sufocada e controlada” pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que “sempre foi muito ciumento”. Dias antes de morrer, a soldado teria questionado a uma amiga se ela acreditava que Geraldo Neto “teria coragem para matá-la”.
O oficial está preso desde quarta-feira (18/3), apontado como principal suspeito pela morte de Gisele. Ele sustenta que a mulher cometeu suicídio, uma versão contestada pela investigação da Polícia Civil.
As testemunhas também relataram que o oficial se escalava no mesmo horário de trabalho da mulher para poder vigiá-la e a colocava como “auxiliar” em sua viatura. Quando somente a soldado era escalada, ele pagava para que ela não trabalhasse.
Gisele também teria afirmado que a filha, de 7 anos de idade, havia perdido peso e passado a ter episódios de enurese noturna — xixi na cama — após passar a conviver com o oficial.





