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Investigado por agredir enfermeira, Magno Malta mandou prender e torturar ex-cobrador inocente

Ao se aproximar para prestar assistência e realizar a compressão necessária no local, a profissional relatou que Malta reagiu com extrema agressividade. O senador teria se levantado e desferido um tapa no rosto da técnica, impacto que chegou a entortar seus...

Investigado por agredir enfermeira, Magno Malta mandou prender e torturar ex-cobrador inocente

O episódio, contudo, não é um fato isolado na biografia de Malta, mas sim um novo capítulo que remete a um dos mais dramáticos casos de abuso de poder e erro judiciário do país, ocorrido há 17 anos.

O senador bolsonarista Magno Malta (PL-ES) encontra-se novamente sob os holofotes da crônica policial. Figura central dos evangélicos, o parlamentar e pastor enfrenta uma denúncia de agressão física e verbal contra uma técnica de radiologia no Distrito Federal.

O episódio, contudo, não é um fato isolado na biografia de Malta, mas sim um novo capítulo que remete a um dos mais dramáticos casos de abuso de poder e erro judiciário do país, ocorrido há 17 anos.

Na última quinta-feira (30), uma técnica de radiologia registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) detalhando uma agressão sofrida durante o exercício de sua profissão.

Segundo o depoimento da vítima, o senador estava internado para uma angiotomografia de tórax e, durante o procedimento, o equipamento identificou uma oclusão, interrompendo automaticamente a injeção de contraste. O líquido acabou extravasando no braço do parlamentar.

Em nota, Magno Malta alegou ter sentido dores intensas e criticou a condução do exame, classificando-a como irresponsável. Quando questionado diretamente sobre a agressão física, o senador afirmou apenas recordar-se da dor e negou-se a confirmar o tapa.

Num vídeo, ele diz que nunca “tocou a mão em nenhuma filha”. ““Continuo internado e estão tentando me acusar. Isso é mentira. Um absurdo”, afirma. Ele alega que é “falsa comunicação de crime” após terem errado na colocação de um cateter.

A PCDF investiga o caso.

O comportamento demonstrado no hospital no Distrito Federal ecoa um episódio sombrio ocorrido em 2009, quando Malta, em seu primeiro mandato no Senado, presidia a CPI da Pedofilia.

Na ocasião, o cobrador de ônibus Luiz Alves de Lima foi preso sob a suspeita de abusar da própria filha de dois anos. A investigação posterior provou que a criança sofria apenas de uma infecção parasitária comum (oxiúro), mas a intervenção direta do senador transformou a vida de Luiz em um pesadelo.

Luiz relata que, após ser levado à delegacia, Malta assumiu o comando do interrogatório, agindo com prerrogativas que não possuía. Ao ser confrontado pelo cobrador, que afirmou que o senador não representava o Judiciário, Malta teria batido na mesa e ordenado a prisão.

Luiz permaneceu nove meses encarcerado, período marcado por sessões sistemáticas de tortura que, segundo ele, ocorriam a mando do parlamentar. Em seu aniversário de 36 anos, o cobrador relata ter sido colocado algemado dentro de um tambor de ferro com água e gelo como “presente”.

Os espancamentos por homens encapuzados foram severos. Luiz recebeu choques e teve dentes quebrados por pressão física. A consequência mais grave foi a perda da visão: as agressões reiteradas no rosto o deixaram cego do olho direito e com menos de 25% da visão no esquerdo. Luiz também descreve ter sido obrigado a comer comida jogada ao chão e beber água misturada com barro.

Documentos anexados ao processo revelam que o então senador e o delegado de polícia costumavam alardear publicamente a suposta culpa de Luiz Alves, exclamando: “Vejam esse criminoso!!! Abusou de sua própria filha!!!”. Mesmo após o caso ser desmentido e ganhar repercussão nacional via Século Diário, Magno Malta utilizou o horário eleitoral em 2018 para gravar um vídeo no qual, sem citar nomes, referia-se à vítima como “vagabundo”.