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Boulos critica Alcolumbre em dia de pauta-bomba no Senado: “brincando com fogo”

A manifestação de Boulos ocorre no mesmo dia em que o Senado analisa uma pauta com impacto estimado em R$ 30 bilhões nas contas públicas: a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a...

Boulos critica Alcolumbre em dia de pauta-bomba no Senado: "brincando com fogo"

Boulos afirmou que a demora na tramitação transmite a impressão de que disputas políticas estão se sobrepondo a uma pauta de interesse social. Ele usou uma metáfora futebolística para criticar a condução do tema no Senado.

 O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), criticou nesta terça-feira (30) o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por manter parada a PEC do fim da escala 6×1, proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e pode alcançar cerca de 37 milhões de trabalhadores. A declaração foi dada em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC.

A manifestação de Boulos ocorre no mesmo dia em que o Senado analisa uma pauta com impacto estimado em R$ 30 bilhões nas contas públicas: a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. Para o ministro, não há justificativa para que a proposta sobre a jornada de trabalho permaneça sem andamento na Casa há mais de um mês.

A PEC que extingue a escala 6×1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e chegou ao Senado no dia seguinte. Desde então, ainda não foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa inicial obrigatória para análise do texto pelos senadores.

Boulos afirmou que a demora na tramitação transmite a impressão de que disputas políticas estão se sobrepondo a uma pauta de interesse social. Ele usou uma metáfora futebolística para criticar a condução do tema no Senado.

O ministro elevou o tom contra Alcolumbre e afirmou que o presidente do Senado “está errando feio” ao retardar o avanço da proposta. Para Boulos, a falta de encaminhamento formal da PEC não se sustenta nem do ponto de vista político nem do ponto de vista do mérito.

“Eu acho que o presidente do Senado está errando e está errando feio. Mais que isso, ele está brincando com fogo, porque quando ele deixa uma pauta como essa parada na gaveta, sem nenhuma justificativa de mérito, política ou de qualquer ordem, parece que isso é do jogo do Executivo com o Legislativo, é do jogo da disputa partidária”, declarou.

A cobrança ocorre às vésperas de uma sessão de debates sobre o fim da escala 6×1 no Senado, marcada para esta quarta-feira (1º). A audiência foi aprovada a partir de requerimento do senador Dr. Hiran (PP-RR) e deve reunir representantes do governo federal, centrais sindicais, prefeitos e parlamentares.

O grupo também pretende se reunir com Alcolumbre para tentar destravar a tramitação da proposta. Embora a sessão não tenha caráter deliberativo, será o primeiro fórum oficial do Senado voltado especificamente ao tema desde que a PEC chegou à Casa.

O debate sobre a escala 6×1 acontece em um momento de maior tensão entre o Palácio do Planalto e Alcolumbre. A proposta se tornou uma das principais bandeiras do governo junto a trabalhadores e centrais sindicais, enquanto setores empresariais têm demonstrado resistência à mudança.

Durante a entrevista, Boulos rebateu argumentos de representantes do setor produtivo de que a redução da jornada poderia provocar demissões ou gerar pressão inflacionária. Segundo o ministro, essas críticas “não colam mais”. Ele citou a política de valorização do salário mínimo como exemplo de medida que, na avaliação do governo, contrariou previsões negativas feitas por setores do mercado.

O ministro também afirmou confiar na articulação do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), e da líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para construir um acordo que permita o avanço da PEC.

Na prática, a mudança substituiria a escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias e descansa um, pelo modelo 5×2. De acordo com estimativas do governo, aproximadamente 37 milhões de trabalhadores seriam diretamente beneficiados pela nova regra.