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Lula aposta no fim da escala 6×1 para atrair indecisos e reduzir rejeição na disputa de 2026

Segundo aliados do presidente, pesquisas internas indicam que a discussão sobre melhores condições de trabalho encontra receptividade em diferentes segmentos da população, independentemente da preferência partidária.

Lula aposta no fim da escala 6×1 para atrair indecisos e reduzir rejeição na disputa de 2026

Nos bastidores, a campanha considera que a defesa do fim da escala 6×1 pode ajudar a reduzir a rejeição histórica enfrentada pelo PT em parte do eleitorado.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu o fim da escala 6×1 como uma das principais bandeiras da pré-campanha para as eleições de 2026. A proposta, que prevê a redução da jornada semanal e a ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores, deve ganhar destaque nas inserções do PT em rádio e televisão nos estados, além de ser amplamente explorada nas redes sociais. As informações são da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

Integrantes da equipe eleitoral avaliam que o tema possui um potencial raro: alcançar até mesmo setores do eleitorado que rejeitam Lula e o governo federal. Segundo aliados do presidente, pesquisas internas indicam que a discussão sobre melhores condições de trabalho encontra receptividade em diferentes segmentos da população, independentemente da preferência partidária.

A estratégia mira especialmente os eleitores que afirmam não apoiar nem Lula nem o senador Flávio Bolsonaro, apontado por pesquisas recentes como um dos principais nomes do campo bolsonarista para a disputa presidencial. A avaliação é que esse grupo pode desempenhar papel decisivo em uma eleição polarizada e com margem apertada.

Nos bastidores, a campanha considera que a defesa do fim da escala 6×1 pode ajudar a reduzir a rejeição histórica enfrentada pelo PT em parte do eleitorado. A aposta é que uma pauta diretamente ligada à rotina de milhões de trabalhadores tenha maior capacidade de gerar identificação do que debates mais abstratos sobre economia ou política institucional.

A proposta prevê a substituição da jornada tradicional de seis dias consecutivos de trabalho por um modelo que garanta duas folgas semanais. Defensores da medida argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida, reduzir problemas de saúde mental e ampliar o tempo disponível para convivência familiar, lazer e qualificação profissional.

O tema ganhou força nos últimos anos após campanhas de trabalhadores e movimentos sociais nas redes sociais. A mobilização levou a discussão para o Congresso Nacional e transformou a escala 6×1 em um dos assuntos mais debatidos no mercado de trabalho brasileiro.

Dentro da campanha petista, a avaliação é que poucas iniciativas recentes alcançam um público tão amplo. Programas como o Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o fim da chamada taxa das blusinhas são considerados importantes, mas atingem grupos específicos. Já a jornada de trabalho é vista como uma pauta capaz de mobilizar trabalhadores de diferentes faixas de renda.

Levantamento do instituto Datafolha divulgado em março reforçou o otimismo da equipe presidencial. Segundo a pesquisa, 71% dos brasileiros defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana. Apenas 27% disseram ser contrários à mudança, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder.

Com o cenário eleitoral ainda em formação, a campanha acredita que o fim da escala 6×1 pode se transformar em uma das principais marcas do discurso de Lula em 2026, funcionando tanto como instrumento para mobilizar sua base quanto para conquistar eleitores que hoje se declaram distantes dos dois principais polos da disputa.