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“Dark Horse” terá sessão exclusiva em evento da extrema-direita com Eduardo Bolsonaro e Bannon

No Brasil, as negociações para definir quem será responsável pela distribuição do filme ainda estão em andamento. A produção, no entanto, chega à estreia para convidados em meio a uma série de questionamentos sobre seu financiamento e sobre a rede...

“Dark Horse” terá sessão exclusiva em evento da extrema-direita com Eduardo Bolsonaro e Bannon

Eduardo Bolsonaro também está entre os palestrantes do evento e atua para transformar a premiere em uma vitrine internacional da produção. O ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro no longa, participará de maneira remota.

O filme “Dark Horse”, baseado na trajetória de Jair Bolsonaro, terá sua sessão de estreia para convidados nos Estados Unidos em um evento voltado à extrema-direita. A exibição ocorrerá na próxima segunda-feira (15), durante a abertura do Fraud Fighter Summit, que contará com a presença de nomes ligados ao trumpismo, entre eles Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump.

Eduardo Bolsonaro também está entre os palestrantes do evento e atua para transformar a premiere em uma vitrine internacional da produção. O ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro no longa, participará de maneira remota. A estratégia dos organizadores é usar a exibição para atrair distribuidores nos Estados Unidos.

No Brasil, as negociações para definir quem será responsável pela distribuição do filme ainda estão em andamento. A produção, no entanto, chega à estreia para convidados em meio a uma série de questionamentos sobre seu financiamento e sobre a rede de empresas e personagens envolvidos no projeto.

Ao Globo, Eduardo Bolsonaro afirmou que houve uma “tentativa de assassinato de reputação, e que o filme é um produto real protagonizado pelo principal ator conservador do Ocidente que interpreta o maior líder político da América Latina”.

“Dark Horse” está no centro da crise envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teria repassado mais de R$ 60 milhões para a produção. O caso ganhou força após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra diretamente o banqueiro sobre pagamentos ligados ao filme.

As mensagens reveladas colocaram o projeto no centro das investigações sobre as relações entre integrantes da família Bolsonaro, empresários e financiadores privados. Vorcaro está preso em meio a apurações sobre fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. A ligação dele com a produção passou a ser analisada por investigadores como parte do conjunto de suspeitas envolvendo o Banco Master.

Outro ponto de questionamento envolve Karina Gama, dona da produtora ligada ao filme. Ela já era alvo de apurações sobre mau uso de dinheiro público antes de se aproximar de aliados do bolsonarismo. Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram suspeitas envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, ONG comandada por Karina, em contratos com o Sesi.

Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução

A produtora e a ONG também chamaram atenção por funcionarem no mesmo endereço. Segundo documentos da CGU, o Instituto Conhecer Brasil chegou a subcontratar uma empresa registrada em endereço semelhante ao da própria entidade. A situação passou a ser comparada com a estrutura usada em torno de “Dark Horse”.

Karina se aproximou de setores da direita por meio de Mário Frias e de aliados da família Bolsonaro. Com o avanço das investigações sobre o Banco Master e sobre contratos públicos envolvendo suas empresas, o filme passou a concentrar suspeitas que vão além de sua produção cinematográfica.

Mesmo sob pressão, Eduardo Bolsonaro e os organizadores tentam apresentar “Dark Horse” como um produto político e comercial voltado ao público conservador internacional. A estreia nos Estados Unidos, com presença de figuras do trumpismo, marca a tentativa de levar o projeto para fora do Brasil em meio às apurações sobre sua origem financeira.