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Relator bolsonarista pede arquivamento de ações contra Eduardo

Além do processo no Conselho de Ética, Eduardo enfrenta questionamentos administrativos na Mesa Diretora da Câmara por excesso de faltas não justificadas, estando fora do país desde o início de 2025. Tentativas de evitar a perda do mandato, como a...

Relator bolsonarista pede arquivamento de ações contra Eduardo

Eduardo Bolsonaro é acusado de quebra de decoro parlamentar por atuar contra o Brasil no exterior e incentivar autoridades dos Estados Unidos a aplicarem sanções contra o país e seus agentes públicos.

O deputado federal Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG), relator do processo que apura a conduta de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara, apresentou nesta quarta-feira (8) seu voto pelo arquivamento da representação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é acusado de quebra de decoro parlamentar por atuar contra o Brasil no exterior e incentivar autoridades dos Estados Unidos a aplicarem sanções contra o país e seus agentes públicos. O relatório, produzido pelo bolsonarista, poderá ser rejeitado pelo colegiado, e outro relator poderá ser designado caso o processo avance.

A denúncia do PT foi protocolada em março, quando Eduardo já estava há pelo menos um mês nos Estados Unidos, participando de encontros com lideranças conservadoras estadunidenses, organizações da direita cristã e membros do Partido Republicano.

Segundo a legenda, essas articulações tinham o objetivo de pressionar autoridades brasileiras e desestabilizar instituições republicanas, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo foi convidado a participar da reunião por vídeo, mas não compareceu e não constituiu advogado, sendo representado por um defensor público. Como não havia advogado da Câmara disponível, a sessão ocorreu com essa representação provisória.

O relatório de Freitas será submetido à votação do colegiado, composto por 21 deputados. Caso aprovado, o processo será arquivado, mas ainda poderá ser levado ao plenário caso haja recurso. Na representação, o PT argumenta que Eduardo extrapolou os limites do mandato ao agir fora do país em defesa de medidas “hostis às autoridades brasileiras” e ao “difamar instituições do Estado democrático de direito”, configurando “ato atentatório à ordem institucional” e ferindo o princípio de representação parlamentar.

Os petistas também citam declarações de apoio público do deputado às sanções econômicas dos Estados Unidos contra produtos e autoridades brasileiras, interpretadas como atentado à soberania nacional.

Além do processo no Conselho de Ética, Eduardo enfrenta questionamentos administrativos na Mesa Diretora da Câmara por excesso de faltas não justificadas, estando fora do país desde o início de 2025. Tentativas de evitar a perda do mandato, como a nomeação para líder da Minoria, foram barradas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).