
No pronunciamento, que deve ir ao ar até sexta-feira, em rede nacional de rádio e TV, Lula defenderá a soberania nacional. https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/lula-grava-pronunciamento-sobre-taxacao-de-trump,1e6511be34d7b6d18ccdbd34bae7d412sxtjstnv.html?utm_source=clipboard
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) grava pronunciamento oficial na noite desta quarta-feira (16) sobre as tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump.
Lula reuniu alguns ministros no Palácio da Alvorada para acompanhar a gravação. Ele decidiu se manifestar depois que os Estados Unidos abriram investigação sobre práticas comerciais do Brasil. A medida foi anunciada menos de uma semana após Trump divulgar que, a partir de 1.º de agosto, o país cobrará uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
O vídeo deve ser veiculado na quinta-feira (17) em rede nacional de rádio e televisão.
Fontes no Palácio do Planalto afirmaram que o tom não deverá fugir à nota publicada por Lula em resposta a Trump. No comunicado oficial, o presidente defendeu a soberania brasileira e a aplicação de medidas recíprocas aos Estados Unidos.
“O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, afirmou o presidente em publicação nas redes sociais.
O decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica foi publicado no DOU (Diário Oficial da União) na terça-feira (15) com a assinatura de Lula.
Aprovada pelo Congresso Nacional em 2 de abril, a Lei da Reciprocidade estabelece critérios de proporcionalidade para a adoção de medidas em resposta a barreiras impostas a produtos e interesses brasileiros. A norma deve ser usada como retaliação às medidas de Trump.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16, mostra que, para 72% dos entrevistados, Trump está errado ao impor taxas ao Brasil por acreditar que há uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Somente 19% disseram que o presidente dos EUA tem razão. Outros 9% não responderam.
O levantamento animou o Palácio do Planalto porque também indicou que o índice dos que apoiam o governo passou de 40% para 43%, enquanto a desaprovação do presidente recuou de 57% para 53%. De acordo com a sondagem da Quaest, o confronto de Lula com Trump, por causa do tarifaço, fez com que o petista recuperasse terreno fora de seu eleitorado tradicional.
Trump anunciou a taxação de produtos brasileiros e atribuiu a medida, em parte, à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Lula rebateu publicamente os termos utilizados pelo líder norte-americano e disse que ele está fazendo intromissão indevida em assuntos do Brasil.
O governo também usou as redes sociais para se posicionar contra a inclusão do Pix no rol das investigações dos EUA. “O Pix é nosso, my friend”, diz a postagem feita pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
Na publicação, o governo afirma que o sistema de transações financeiras no Brasil está causando um “ciúme danado”. “Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema Seguro, Sigiloso e Sem taxas”, afirma a mensagem.
As peças da Secom serão reforçadas pelo PT, que terá uma campanha nas redes em defesa do Pix. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o governo avalia que a inclusão do Pix no rol das investigações dos EUA foi motivada por lobby das grandes bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.
De qualquer forma, o governo está aproveitando o momento de embate com os EUA para avançar algumas casas no jogo, em busca da popularidade perdida.
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta quarta-feira, após se reunir com empresários, que o governo está empenhado em resolver o imbróglio com os Estados Unidos.





