
A decisão de Alcolumbre foi anunciada em meio à pressão gerada pelo caso Master e por questionamentos sobre relações atribuídas a integrantes do banco com figuras públicas.
O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), descartou nesta quinta-feira (21) fazer a leitura dos requerimentos de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar irregularidades envolvendo o Banco Master, investigado pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.
A posição de Alcolumbre foi apresentada durante sessão conjunta da Câmara e do Senado. Ao responder questões de ordem, o presidente do Congresso afirmou que a leitura dos requerimentos depende de decisão da Mesa, com base no Regimento Interno do Senado Federal, aplicado de forma subsidiária ao Regimento Comum.
A decisão de Alcolumbre foi anunciada em meio à pressão gerada pelo caso Master e por questionamentos sobre relações atribuídas a integrantes do banco com figuras públicas. A movimentação também ocorre em um momento de desgaste político envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado após a divulgação de áudios em que o parlamentar negocia um financiamento de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para ser investido no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro, mas afirma que a conversa tratou apenas da produção cinematográfica.
“Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI, falando qual é a relação que eles tinham com Flávio Bolsonaro, e também qual é a relação que eles tinham com o Lula, qual é a relação que eles tinham com Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer. Eu não tenho nada a esconder”, declarou Flávio.
Alcolumbre, por sua vez, argumentou que a sessão conjunta havia sido convocada com objetivo específico: analisar vetos do presidente Lula a trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Os dispositivos em discussão tratavam da liberação de doações de bens, valores ou benefícios pela administração pública durante o período eleitoral, inclusive a municípios inadimplentes.
O presidente do Congresso afirmou que a votação dos vetos tinha impacto direto sobre a execução de obras e convênios em milhares de municípios. Segundo ele, a deliberação precisava ocorrer com urgência para evitar a manutenção de bloqueios administrativos.
“Nós temos hoje, no Brasil, mais de 5.034 municípios que estão aguardando esta sessão. Dos 5.034 municípios brasileiros, ou seja, 92% dos municípios de todas as regiões do Brasil, estão impedidos. E se nós não deliberarmos esse assunto o mais rápido possível, nós vamos, infelizmente, continuar transferindo para esses municípios esta responsabilidade de obras inacabadas sem o recurso na conta do convênio, de obras paralisadas com crítica de toda a ordem”, argumentou Alcolumbre.
Com a decisão de não ler os requerimentos, a criação da CPMI do Banco Master permanece sem avanço imediato no Congresso. A pressão, no entanto, segue no centro da disputa política, especialmente diante da tentativa de parlamentares de levar Daniel Vorcaro e Augusto Lima a depor sobre as suspeitas relacionadas ao caso.
Balanço publicado pela Agência Brasil na última segunda-feira (18) informou que a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, chegou a seis meses com 21 prisões temporárias, 116 mandados de busca e apreensão e R$ 27 bilhões bloqueados em bens e valores no caso do Banco Master. A fase inicial da operação ocorreu em 18 de novembro e prendeu sete pessoas, incluindo Daniel Vorcaro.
Com o avanço das investigações, o Banco Central formalizou a liquidação judicial do conglomerado do Banco Master. A decisão também atingiu Letsbank, Will Bank e Banco Pleno. Até o momento, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) desembolsou R$ 49 bilhões para indenizar parte dos clientes do Master.
Segundo a investigação, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de outras vantagens. A apuração ainda deve definir a extensão das suspeitas e eventuais responsabilidades individuais.
A citação ao senador aumenta o peso político do caso Banco Master e coloca em foco as conexões entre representantes do mercado financeiro e integrantes do Congresso Nacional.





