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Ministro do TSE advoga para big tech em processo do Marco Civil no STF

Segundo a reportagem, Floriano é um dos três advogados que assinam o recurso protocolado pela empresa em novembro de 2025. Seu escritório passou a atuar no caso em julho do mesmo ano, após a conclusão do julgamento pelo plenário do...

Ministro do TSE advoga para big tech em processo do Marco Civil no STF

Enquanto atua para uma das principais empresas de tecnologia do país, Floriano também participa das atividades do TSE relacionadas às plataformas digitais.

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques atua como advogado do Google em um processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet. O magistrado integra a defesa da empresa nos embargos de declaração apresentados após o julgamento que ampliou as responsabilidades das plataformas digitais sobre conteúdos publicados por usuários. Com informações da Folha.

Segundo a reportagem, Floriano é um dos três advogados que assinam o recurso protocolado pela empresa em novembro de 2025. Seu escritório passou a atuar no caso em julho do mesmo ano, após a conclusão do julgamento pelo plenário do STF. O tema voltou à pauta da Corte neste mês, a poucos meses das eleições de 2026.

Dupla porta

Enquanto atua para uma das principais empresas de tecnologia do país, Floriano também participa das atividades do TSE relacionadas às plataformas digitais. A Corte possui normas que preveem medidas contra conteúdos considerados desinformativos sobre a integridade do processo eleitoral e estabelece obrigações para empresas como Google e YouTube durante as eleições. As regras foram atualizadas em março deste ano em sessão da qual o ministro participou.

TSE, YouTube e Google – Foto: Reprodução

Questionado sobre eventual conflito de interesses, Floriano afirmou por meio de nota que “não há conflito de interesses na situação descrita”. A assessoria acrescentou que integrantes do TSE oriundos da advocacia “não estão impedidos de exercer a advocacia, nos termos da legislação aplicável”. A nota também informa que o ministro “não participou do julgamento de processos envolvendo clientes de seu escritório”.

O texto acrescenta que “eventual hipótese de impedimento ou conflito de interesses será analisada e conduzida em estrita observância às disposições legais e regimentais aplicáveis”. Sobre sua atuação para o Google no STF, a assessoria afirmou ainda que os embargos de declaração têm “por finalidade esclarecer eventuais pontos de dúvida, omissão ou contradição da decisão, bem como contribuir para sua adequada implementação”.

O Google informou que contratou o escritório Manesco Advogados, do qual Floriano é sócio, para reforçar sua equipe jurídica externa no caso envolvendo o artigo 19 do Marco Civil da Internet. A empresa declarou que “sua atuação no caso em questão não tem qualquer relação com seu cargo institucional no TSE” e acrescentou que o advogado foi contratado por seu conhecimento técnico e acadêmico sobre o tema. Floriano foi indicado ao TSE em 2023 e reconduzido ao cargo em 2025 para um novo mandato de dois anos.