
“Com todo o respeito devido aos americanos, Israel deve deixar claro ao mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à venda”, afirmou Ben Gvir, por meio de comunicado.
A ofensiva israelense no Líbano voltou a se intensificar nesta sexta-feira (19), após o Exército de Israel anunciar a morte de quatro soldados em confrontos no sul do país, enquanto integrantes do governo de Benjamin Netanyahu defendem a continuidade dos ataques contra o Hezbollah mesmo diante de apelos internacionais por cessação das hostilidades no Oriente Médio, informa a RFI.
O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, aliado de extrema direita de Netanyahu, reagiu à morte dos militares com declarações que ampliaram a tensão regional. “Com todo o respeito devido aos americanos, Israel deve deixar claro ao mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à venda”, afirmou Ben Gvir, por meio de comunicado.
A nova rodada de ataques acontece apesar do protocolo de acordo assinado entre Estados Unidos e Irã, que prevê a cessação das hostilidades em todas as frentes no Oriente Médio. Mesmo assim, Israel afirma que manterá sua operação contra o Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã.
A posição do primeiro-ministro também recebeu apoio de integrantes ultranacionalistas do governo israelense. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, publicou na rede social X que “é preciso fazer o fogo falar […] abrir as portas do inferno”, sem citar diretamente o Líbano, mas em referência ao contexto da morte dos soldados.
A pressão política sobre Netanyahu também aumentou entre setores nacionalistas da oposição. Avigdor Lieberman, líder de um partido oposicionista, defendeu que Israel imponha “um pesado tributo […] do qual o outro lado jamais se recuperará”. Ele também escreveu no X que, se os redutos do Hezbollah “continuarem de pé, isso será um claro fracasso do primeiro-ministro e do ministro da Defesa”.
As Forças Armadas israelenses afirmaram nesta sexta-feira ter atingido “mais de 80 alvos” e matado “dezenas” de integrantes do Hezbollah, em uma ação descrita por Israel como resposta a “violações do cessar-fogo”.
Os bombardeios atingiram ao menos dez localidades nas proximidades de Nabatiyé, no sul do Líbano. Entre elas está Harouf, onde oito pessoas morreram, de acordo com balanço provisório divulgado pela Agência Nacional de Informação Libanesa. Outros ataques israelenses também atingiram a região de Baalbek, no leste do país.
A intensificação da ofensiva provocou uma nova onda de deslocamentos. Segundo a agência libanesa, centenas de moradores deixaram a região de Tiro em veículos lotados, levando colchões e pertences pessoais.
Em comunicado divulgado ao amanhecer, o Hezbollah afirmou que seus combatentes atacaram forças israelenses nas proximidades das colinas de Ali Taher, nos arredores de Nabatiyé, com disparos “de foguetes e de morteiros”.
Na noite de quinta-feira, o grupo também declarou ter destruído três tanques israelenses durante confrontos entre seus combatentes e uma unidade do Exército israelense no sul do Líbano.
A escalada militar levou a França a cobrar publicamente que Israel respeite o acordo assinado por Estados Unidos e Irã. Em entrevista à emissora France Info, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que o compromisso prevê a interrupção das hostilidades.
“Esse acordo prevê a cessação das hostilidades; o governo israelense deve respeitá-lo, e os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o governo israelense para que isso aconteça”, declarou Barrot.
O ministro francês também comentou o adiamento das negociações que deveriam começar na Suíça entre Washington e Teerã para implementar o compromisso firmado na quarta-feira (17). “O mais difícil ainda está por vir, mas não devemos superinterpretar adiamentos de reuniões, já que esse acordo foi assinado”, afirmou.
Barrot acrescentou que a prioridade agora é manter as conversas em andamento. “O essencial agora é que as discussões, inclusive no nível técnico, possam continuar para que as primeiras etapas previstas pelo acordo possam ser ativadas”, concluiu.
A ofensiva israelense no Líbano ocorre em um momento de forte instabilidade regional e de crescente pressão internacional para que o protocolo de cessação das hostilidades seja efetivamente implementado.





