
O editorial conclui que o discurso patriótico de Flávio revela-se mais uma farsa do bolsonarismo ao aceitar a vassalagem aos Estados Unidos de Trump.
A convenção nacional do PL, organizada com o objetivo de consagrar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, escancarou a fraqueza e o isolamento do projeto bolsonarista ao revelá-lo sem apoio dos principais partidos do centrão e dependente do extremismo de figuras da direita internacional, informa o jornal O Estado de São Paulo em editorial publicado nesta terça-feira (28).
O editorial faz duras críticas à presença e ao comportamento de Javier Milei durante o ato do PL. Acompanhado por Flávio Bolsonaro, o mandatário argentino discursou por quase meia hora atacando com gritos e palavrões o presidente Lula (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O texto ressalta que a conduta de Milei violou o mínimo de civilidade institucional exigido de um chefe de Estado, sobretudo por estar em visita ao Brasil.
De acordo com a análise do jornal, Milei representa uma vertente direitista que transforma a “falta de vergonha e a insolência institucional” em seus principais ativos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, deveria ter evitado o “espetáculo constrangedor”, mas, devido à sua própria “insignificância”, atrelou sua campanha a forças que não controla, passando a apostar no ultraje para tentar impulsionar suas chances eleitorais.
Outro ponto classificado como grave e perigoso pelo editorial é a articulação da campanha bolsonarista com Donald Trump. O jornal aponta que o presidente norte-americano não esconde o interesse de interferir no processo eleitoral brasileiro com a intenção de instalar no Palácio do Planalto um “títere” que atenda aos interesses de converter a América Latina em um “quintal” dos Estados Unidos.
A publicação relembra que a imprensa norte-americana revelou a intenção de Trump de enviar representantes ao Brasil para semear dúvidas sobre o sistema eleitoral do país. O governo brasileiro negou o visto aos emissários e capitalizou o episódio politicamente. A toxicidade dessa aliança foi refletida em pesquisa Datafolha citada pelo jornal, na qual 52% dos eleitores afirmaram acreditar que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra as exportações brasileiras é uma manobra destinada a favorecer a candidatura de Flávio. Para a publicação, a maioria da população já percebe que o prejuízo econômico infligido ao país atende aos interesses de uma candidatura mantida apenas para resgatar o legado familiar.
O editorial conclui que o discurso patriótico de Flávio revela-se mais uma farsa do bolsonarismo ao aceitar a vassalagem aos Estados Unidos de Trump. Como consequência, essa postura beneficia a estratégia eleitoral do presidente Lula, que se fortalece ao se posicionar como defensor da soberania nacional perante os ataques externos — desde as tarifas impostas por Trump até o comportamento de Milei em solo brasileiro.





