
Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.
Uma das artistas mais reconhecidas da dramaturgia brasileira, Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães estudou piano na juventude antes de seguir para as artes dramáticas. Nos anos 1950, ingressou na Escola de Artes Dramáticas, mas deixou o curso um ano antes da conclusão, em 1959. A estreia profissional veio no teleteatro da TV Tupi, em uma fase decisiva da formação da televisão brasileira.
Ainda em 1959, participou de sua primeira novela, “Um Lugar ao Sol”, exibida pela TV Excelsior. No ano seguinte, já usando o nome artístico Glória Menezes, estreou nos palcos em “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, em montagem dirigida por Antunes Filho.
Em 1963, Glória alcançou novo ponto de virada na televisão ao protagonizar “2-5499 Ocupado”, na TV Excelsior. Na novela, interpretava uma presidiária e fazia par romântico com Tarcísio Meira, com quem se casou em outubro daquele ano. A parceria artística e pessoal se tornaria uma das mais conhecidas da televisão brasileira.
O casal teve Tarcísio Filho em 1964. O ator é o único filho de Tarcísio Meira e o terceiro de Glória Menezes, que também era mãe de Maria Amélia e João Paulo, de um casamento anterior.
Na TV Globo, Glória e Tarcísio consolidaram a imagem de casal símbolo das novelas. Atuaram juntos em produções como “Sangue e Areia”, exibida entre 1967 e 1968, “Rosa Rebelde”, de 1969, “Espelho Mágico”, de 1977, “Guerra dos Sexos”, de 1983, a série “Tarcísio & Glória”, de 1988, “Páginas da Vida”, de 2006, e “A Favorita”, de 2008.
A atriz também brilhou sem Tarcísio Meira em momentos centrais da carreira. Em “Brega & Chique”, de 1987, interpretou uma dona de casa pobre que recebe uma herança milionária. Em “Rainha da Sucata”, de 1990, deu vida à vilã Laurinha Figueroa, socialite falida que tentava manter as aparências. A cena em que Laurinha se joga do alto de um prédio na avenida Paulista tornou-se uma das mais lembradas da teledramaturgia.
No teatro, Glória também acumulou trabalhos de destaque. Em 1976, dividiu o palco com Tarcísio Meira na comédia “Tudo Bem no Ano Que Vem”, de Bernard Slade, dirigida por Flávio Rangel. Em 2000, em “Jornada de um Poema”, dirigida por Diogo Vilela, interpretou uma professora com câncer e raspou a cabeça para o papel. Ela repetiria a transformação física anos depois, na novela “Jóia Rara”, ao viver uma monja tibetana.
Em 2013, voltou aos palcos com a comédia “Ensina-Me a Viver”, dirigida por João Falcão. A peça, escrita por Colin Higgins, abordava a relação entre uma octogenária e um jovem obcecado pela morte.
Com uma carreira atravessada por diferentes fases da televisão brasileira, Glória Menezes deixa um legado associado à popularização da novela, à força do teleteatro e a personagens que marcaram gerações.



