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STJ mantém condenação de Danilo Gentili por ataques contra Sâmia Bomfim: “Tão gorda”

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou que Gentili publicou posteriormente outras mensagens, que continuaram disponíveis na internet, e concluiu que a ação apresentada em maio de 2022 não estava prescrita.

STJ mantém condenação de Danilo Gentili por ataques contra Sâmia Bomfim: “Tão gorda”

“A mina é tão gorda que acha que até os ministros devem ser temperados”. Em outra, afirmou: “Foi bom avisar com antecedência que vai me processar, assim dá tempo da Justiça se preparar e alargar as portas do tribunal para você poder entrar”.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação do apresentador Danilo Gentili ao pagamento de R$ 20 mil à deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) por ataques de cunho gordofóbico publicados nas redes sociais. O ministro Antonio Carlos Ferreira rejeitou o recurso no qual a defesa do humorista questionava o prazo usado por Sâmia para entrar com a ação.

A primeira publicação incluída no processo ocorreu em 10 de agosto de 2018. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou que Gentili publicou posteriormente outras mensagens, que continuaram disponíveis na internet, e concluiu que a ação apresentada em maio de 2022 não estava prescrita.

Antonio Carlos Ferreira afirmou que, em casos de dano à imagem, o prazo começa a contar a partir de cada publicação não autorizada. Uma nova postagem que configure outro ato ilícito também abre um novo prazo para a pessoa prejudicada pedir reparação.

O STJ não voltou a examinar se as mensagens ultrapassaram os limites da liberdade de expressão. O julgamento tratou exclusivamente da prescrição, termo jurídico usado para definir o prazo disponível para buscar na Justiça a reparação por um dano.

O TJ-SP condenou Gentili em 2023, ao reformar uma sentença de primeira instância que havia rejeitado os pedidos da parlamentar. Além da indenização, os desembargadores determinaram a exclusão das publicações consideradas ofensivas.

Sâmia ocupava o cargo de vereadora de São Paulo quando Gentili publicou a série de mensagens. Em uma delas, escreveu: “A mina é tão gorda que acha que até os ministros devem ser temperados”. Em outra, afirmou: “Foi bom avisar com antecedência que vai me processar, assim dá tempo da Justiça se preparar e alargar as portas do tribunal para você poder entrar”.

Os desembargadores concluíram que as mensagens abandonaram qualquer relação com a atuação política de Sâmia e assumiram caráter de ataque pessoal. Para o TJ-SP, as publicações não tinham interesse público nem relação com o cargo exercido por ela e ultrapassaram os limites da liberdade de expressão.