
Segundo levantamento do projeto Farras, do De Olho nos Ruralistas, a cantora recebeu R$ 73 milhões entre janeiro de 2024 e março de 2026 em contratos de shows pagos por prefeituras e governos estaduais.
A cantora Ana Castela, uma das principais estrelas do chamado agronejo, voltou a ganhar destaque político após aparecer ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a Festa do Peão de Barretos. Os dois posaram fazendo o número “22”, associado ao Partido Liberal.
A imagem foi publicada por Nikolas nas redes sociais neste domingo (23), em meio à presença de diversas figuras da direita no evento. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também participou da programação, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Mas, além da aproximação com políticos de direita, Ana Castela chama atenção pelos valores recebidos em contratos públicos para apresentações musicais.
Segundo levantamento do projeto Farras, do De Olho nos Ruralistas, a cantora recebeu R$ 73 milhões entre janeiro de 2024 e março de 2026 em contratos de shows pagos por prefeituras e governos estaduais.
R$ 28 milhões em rodeios e festas agropecuárias
O levantamento também mostra uma concentração significativa dos contratos de Ana Castela em eventos ligados ao agronegócio.
Desde 2024, a cantora recebeu aproximadamente R$ 28 milhões em apresentações realizadas em exposições agropecuárias, rodeios, cavalgadas e vaquejadas financiados com dinheiro público.
O relatório foi produzido após seis meses de investigação e análise de mais de 20 mil contratos públicos.
A presença de Ana Castela em Barretos ocorreu em um ambiente marcado pela participação de políticos identificados com a direita.
Nikolas Ferreira, que disputa a reeleição neste ano, publicou a fotografia ao lado da cantora fazendo o gesto associado ao PL. O deputado é um dos principais nomes da direita brasileira nas redes sociais.
A Festa de Barretos se tornou, assim, mais um cenário em que música sertaneja, agronegócio e política se encontram.
Os números levantados pelo Farras recolocam em debate o uso de recursos públicos para financiar apresentações de artistas de cachês elevados.
Contratos culturais e de entretenimento pagos por prefeituras e governos estaduais são legais quando obedecem às regras de contratação pública. A discussão, porém, envolve também prioridades orçamentárias, valores dos cachês e fiscalização dos gastos.





