
Zema afirmou “nunca ter encontrado Vorcaro”, definiu o banqueiro como “talvez o maior criminoso do país” e disse nunca ter tido contato com o dono do banco Master.
Em postagem na tarde desta quarta (13), Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, disse ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): “Ouvir você cobrar dinheiro do Vorcaro é imperdoável, é um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta criticar Lula e o PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade”.
Ainda em 26 de abril, numa reportagem do jornal mineiro O Tempo, Zema afirmou “nunca ter encontrado Vorcaro”, definiu o banqueiro como “talvez o maior criminoso do país” e disse nunca ter tido contato com o dono do banco Master.
Mas a realidade não é tão bonita como Zema a pinta. A começar pela relação com Vorcaro. Um dos maiores doadores da campanha de Zema à reeleição para governador em 2022 atende por Henrique Vorcaro — pai do banqueiro. Papai Vorcaro doou, oficialmente, R$ 1 milhão para Zema na eleição passada.

Zema possui 16,41% das ações da Zema Crédito, Financiamento e Investimento S.A., investigada por irregularidades na oferta de consignado a aposentados e pensionistas e depôs na CPMI do INSS. A financeira foi uma das 11 empresas autorizadas pelo governo Bolsonaro a operar crédito consignado para beneficiários do BPC e do Auxílio Brasil durante a pandemia.
Na ocasião, a CPMI aprovou a quebra do sigilo bancário de Daniel Vorcaro, acusado de causar um rombo de R$ 41 bilhões em um esquema de emissão de títulos de crédito falsos, que afetou 1,6 milhão de credores. A Polícia Federal suspeita que parte desse dinheiro foi lavado pelo PCC.
Com a chegada de Zema ao governo mineiro, o licenciamento ambiental passou a ser visto como entrave para a exploração de mineradoras e um limitante para o lucro dessas empresas – uma dessas investigações conduzidas pela PF é justamente a Operação Rejeito, cujo foco são fraudes no licenciamento ambiental em MG.
Por conta das irregularidades, a Itaminas tinha dívidas e multas que chegavam aos R$ 500 milhões. Contando com a benevolência da gestão Zema, essa dívida caiu para cerca de R$ 100 milhões e a empresa voltou a operar em 2020.
Uma dessas operações é feita em conjunto com a Vale, na mina de Jangada. Esse campo fica nas proximidades da barragem de Brumadinho, local de um trágico acidente em 2019, causado pelo rompimento da barragem. Quase oito anos depois, o acidente segue impune, sem nenhuma responsabilização e com parcas indenizações às famílias das vítimas.
Fernando Baliani, diretor da Fundação Estadual do Meio Ambiente, órgão ambiental de MG, à época, foi quem assinou o ato. Ele foi exonerado pela Justiça mineira. A Feam, não por acaso, é uma das investigadas na Operação Rejeito. O novo presidente da Feam, Edson Resende, era promotor estadual e foi nomeado por Zema. Resende prestava serviços para a Itaminas após deixar o MPMG.
Os Vorcaros controlam 90% do capital de outra mineradora, a Tamisa. O outro controlador é Fabiano Zettel, também envolvido no caso Master. Pastor da Igreja Bola de Neve na capital mineira, Zettel foi doador das campanhas de Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões) para a Presidência e Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões) para o governo de SP no pleito de 2022.
Como se vê, Zema conhece — e não é pouco — o clã Vorcaro e seu entorno. Outra prova disso, é a demora do governo de MG em tombar a Serra do Curral, de modo a não prejudicar a exploração de minerais no local pela Tamisa, controlada por Vorcaro filho e seu cunhado Zettel.
Zema pode fazer vários tuítes indignados com quem recebeu dinheiro de Vorcaro. Só precisa admitir que também participou dessa festa.





