
Flávio sustenta que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), produzindo efeito contrário ao pretendido pelas autoridades americanas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, apresentou ao governo dos Estados Unidos um documento em que pede a suspensão da proposta de sobretaxar produtos brasileiros. Flávio sustenta que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), produzindo efeito contrário ao pretendido pelas autoridades americanas.
Na conclusão do documento, o senador afirma que uma eventual sobretaxa beneficiaria politicamente o governo brasileiro, além de causar prejuízos econômicos tanto aos Estados Unidos quanto aos brasileiros que defendem uma relação mais próxima entre os dois países.
“Em outras palavras: as tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, afirmou Flávio no documento.
Para sustentar a tese, Flávio cita pesquisas de opinião e afirma que momentos de maior pressão tarifária coincidiram com fortalecimento eleitoral do presidente brasileiro.
“A provocação é explicada por uma estrutura de incentivos. Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a posição eleitoral do governo se fortaleceu justamente nos períodos em que a pressão tarifária dos Estados Unidos foi mais intensa”, escreveu.
O senador também argumenta que as tarifas não atingiriam diretamente aqueles que, segundo ele, são alvo das críticas do governo americano — o governo Lula e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação apresentada ao USTR, o impacto recairia sobre exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos.
Como alternativa ao tarifaço, Flávio Bolsonaro propõe que os Estados Unidos suspendam temporariamente a adoção das sobretaxas e iniciem um processo de negociação bilateral sobre os seis temas investigados pelo USTR: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix; tarifas preferenciais; combate à corrupção; propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Segundo o senador, as tarifas só deveriam ser consideradas caso as negociações não produzam um acordo entre os dois países.
Outra sugestão apresentada no documento é que, caso Washington conclua que houve irregularidades por parte de autoridades brasileiras, adote sanções direcionadas, como restrições de visto e medidas individuais, em vez de sobretaxar produtos brasileiros. Na avaliação de Flávio, esse tipo de medida atingiria diretamente os responsáveis pelas condutas questionadas, sem impor custos à economia dos Estados Unidos ou aos brasileiros favoráveis ao estreitamento das relações bilaterais.
Flávio Bolsonaro viajará aos Estados Unidos para participar da audiência pública promovida pelo USTR. O senador solicitou cinco minutos para discursar na condição de representante do Senado Federal e pré-candidato à Presidência da República.
No pedido de inscrição, ele informou que tratou do tema diretamente com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo o parlamentar, sua participação buscará defender uma “solução construtiva e negociada” para as questões levantadas na investigação comercial.
Flávio também pretende defender o Pix durante a audiência, sistema que integra os pontos questionados pelo governo americano.
A decisão do governo dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação das tarifas deverá ser anunciada até o próximo dia 15 de julho. A investigação conduzida pelo USTR envolve temas como comércio digital, funcionamento do Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal.





