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STF designa Moraes como relator das ações contra Lei da Dosimetria

Os processos chegaram ao gabinete de Moraes por livre distribuição no sistema da Corte. A primeira ação foi encaminhada por sorteio comum; a segunda, protocolada em seguida e com objeto semelhante, foi direcionada ao ministro por prevenção.

STF designa Moraes como relator das ações contra Lei da Dosimetria

Alexandre de Moraes foi sorteado relator das ações que questionam no Supremo Tribunal Federal a Lei da Dosimetria, promulgada nesta sexta-feira (8) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre

O ministro do STF Alexandre de Moraes foi sorteado relator das ações que questionam no Supremo Tribunal Federal a Lei da Dosimetria, promulgada nesta sexta-feira (8) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A norma altera regras de cálculo e cumprimento de penas e pode beneficiar Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Os processos chegaram ao gabinete de Moraes por livre distribuição no sistema da Corte. A primeira ação foi encaminhada por sorteio comum; a segunda, protocolada em seguida e com objeto semelhante, foi direcionada ao ministro por prevenção.

As ações foram apresentadas após a promulgação da Lei nº 15.402/2026, aprovada pelo Congresso depois da derrubada do veto integral de Lula. O texto muda pontos do Código Penal e da Lei de Execução Penal, com impacto em condenações por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Uma das ações é da Federação PSOL-Rede e de partidos que a integram. As siglas pedem que o STF declare a inconstitucionalidade da norma e afirmam que a lei altera critérios como progressão de regime, remição de pena e tratamento de crimes praticados em contexto de multidão.

A Associação Brasileira de Imprensa também acionou o Supremo. A entidade questiona dispositivos da lei sob o argumento de que o Congresso deu tratamento mais brando a crimes contra a ordem democrática. O PT anunciou que também deve apresentar ação contra a Lei da Dosimetria.

Entre os pontos centrais, a nova lei impede a soma de condenações por crimes de mesma natureza, como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Também amplia a possibilidade de progressão ao semiaberto após o cumprimento de cerca de 16,6% da pena.

A discussão já vinha provocando reação no STF. Ministros da Corte indicaram a parlamentares que não deveriam interferir na decisão do Congresso de derrubar o veto, mas também mostrou que o texto poderia reduzir penas de Jair Bolsonaro e de outros condenados do 8 de janeiro, a depender da aplicação judicial.