×

Ypê foi condenada por assédio eleitoral em 2022 ao fazer palestra pró-Bolsonaro

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho, que apontou assédio eleitoral na transmissão de uma palestra sobre o “cenário eleitoral pós-primeiro turno”. Segundo o processo, embora o encontro fosse apresentado como informativo, o palestrante usou dados e argumentos...

Ypê  foi condenada por assédio eleitoral em 2022 ao fazer palestra pró-Bolsonaro

A Ypê pertence à Química Amparo, criada em 1950 por Waldyer Beira e controlada pela família Beira. Em 2022, três integrantes da família doaram juntos R$ 1 milhão à campanha de Jair Bolsonaro.

A Química Amparo Ltda., proprietária da marca Ypê, que foi alvo da Anvisa nesta quinta-feira (7), foi condenada por assédio eleitoral por promover uma live para funcionários durante a campanha de 2022 com conteúdo favorável à reeleição de Jair Bolsonaro (PL). A decisão de 2024 foi da 9ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, com sede em Campinas.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho, que apontou assédio eleitoral na transmissão de uma palestra sobre o “cenário eleitoral pós-primeiro turno”. Segundo o processo, embora o encontro fosse apresentado como informativo, o palestrante usou dados e argumentos para defender a manutenção do governo Bolsonaro como “melhor opção para o país”.

A decisão determinou que a fabricante se abstenha de fazer propaganda eleitoral em favor de qualquer candidato a cargo político. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 100 mil por infração. No acórdão, o relator Marcelo Garcia Nunes afirmou que a empresa não poderia, sob pretexto de conscientizar colaboradores, permitir propaganda política em seu estabelecimento.

A Química Amparo alegou no processo que o objetivo da live era expor o cenário político e que não houve constrangimento a empregados para participação no encontro nem orientação para voto em determinado candidato. Procurada pelo g1 à época, a empresa disse que não comentava processos judiciais em curso, afirmou ser “100% brasileira, apartidária” e informou que recorreria às instâncias superiores.

Protestos contra a Ypê em supermercados – Reprodução

A condenação voltou ao debate após a Ypê ter lotes de produtos suspensos pela Anvisa. A agência determinou o recolhimento de itens da marca e orientou consumidores a suspenderem imediatamente o uso dos lotes listados na Resolução 1.834/2026, além de procurar o SAC da empresa para informações sobre o procedimento de recolhimento.

A Anvisa informou que a medida foi tomada após inspeção conjunta com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo identificar falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Segundo a agência, as irregularidades representam risco de contaminação microbiológica nos produtos afetados.

A Ypê pertence à Química Amparo, criada em 1950 por Waldyer Beira e controlada pela família Beira. Em 2022, três integrantes da família doaram juntos R$ 1 milhão à campanha de Jair Bolsonaro. Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da empresa, repassou R$ 500 mil. Waldir Beira Júnior e Ana Maria Beira doaram R$ 250 mil cada.

A marca também enfrentou críticas em dezembro de 2023 por uma ação publicitária em Salvador, acusada nas redes de fazer referência racista. Na ocasião, a empresa afirmou que “repudia qualquer tipo de manifestação preconceituosa e racista” e disse que a escultura usada na campanha fazia referência à Mãozinha, personagem da Família Addams.