
Nos bastidores do Congresso, aliados do Centrão tentavam contato com Alcolumbre em busca de informações sobre o avanço da investigação. O grupo de mensagens dos senadores permaneceu em silêncio durante as primeiras horas da operação.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manteve o celular desligado na manhã desta quinta (7), após a deflagração de nova fase da Operação Compliance Zero, segundo a coluna de Diego Amorim no PlatôBR. A ação da Polícia Federal teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
Nos bastidores do Congresso, aliados do Centrão tentavam contato com Alcolumbre em busca de informações sobre o avanço da investigação. O grupo de mensagens dos senadores permaneceu em silêncio durante as primeiras horas da operação.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça aponta indícios de que Ciro Nogueira atuou em favor dos interesses do Banco Master em troca de vantagens indevidas. O documento afirma que o senador seria o “destinatário central das vantagens indevidas” e menciona suspeitas de pagamentos mensais, viagens internacionais e uso de imóvel de alto padrão.
A investigação também cita a apresentação de emenda à PEC 65/2023, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Segundo a decisão, “o senador apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 com conteúdo produzido no âmbito do Banco Master”. Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro afirmariam que o texto “saiu exatamente como mandou”.

De acordo com a Polícia Federal, minutas de projetos ligados ao grupo financeiro teriam circulado pela residência do senador antes de chegarem ao gabinete parlamentar. A investigação aponta ainda preocupação em ocultar a origem dos documentos utilizados.
Entre as mensagens reproduzidas na decisão estão diálogos sobre repasses financeiros. “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”, diz um dos trechos. Em outra conversa, um investigado pergunta: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”.
Ao autorizar as medidas cautelares, André Mendonça afirmou haver risco de interferência na investigação devido à influência política de Ciro Nogueira. O ministro proibiu o senador de manter contato com outros investigados e testemunhas da operação.





