
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim deseja que o processo eleitoral brasileiro transcorra de forma tranquila.
O governo da China defendeu nesta quinta-feira (17) o princípio da não interferência em assuntos internos de outros países ao ser questionado sobre as pressões dos Estados Unidos contra o Brasil às vésperas da eleição presidencial. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim deseja que o processo eleitoral brasileiro transcorra de forma tranquila. Com informações do Metrópoles.
A pergunta feita ao porta-voz citou o aumento da pressão do governo Donald Trump sobre o Brasil, incluindo críticas à atuação brasileira contra o crime organizado e discussões sobre possíveis novas sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Guo respondeu de forma curta, afirmando que a China mantém o princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países e deseja uma eleição “estável e tranquila” ao Brasil. A formulação consta também da transcrição oficial da chancelaria chinesa.
Na mesma entrevista, o porta-voz destacou a relação entre o presidente Lula e o líder chinês Xi Jinping. A manifestação ocorreu um dia depois de Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, reunir-se em Pequim com o chanceler Wang Yi e entregar uma carta de Lula destinada a Xi.

Guo afirmou que a relação entre Brasil e China avançou de uma parceria estratégica abrangente para uma “comunidade com futuro compartilhado” e disse que Lula e Xi mantêm comunicação próxima. Segundo o porta-voz, essa interlocução demonstra o nível de confiança política entre os dois governos.
A posição anunciada nesta quinta dá sequência a manifestações anteriores de Pequim sobre soberania brasileira. Em julho, Xi Jinping afirmou a Lula que a China apoiava o Brasil contra interferências externas. Na ocasião, o presidente chinês também defendeu maior coordenação bilateral e multilateral entre os dois países.
A declaração ocorre enquanto o governo brasileiro acusa Washington de exercer pressão política sobre o país durante a campanha eleitoral. Lula afirmou nesta semana que advertiu Trump a não interferir no processo brasileiro, e o Itamaraty sinalizou que o presidente deve abordar o princípio da não interferência estrangeira durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU. A eleição brasileira será realizada no próximo mês.





