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Após ser chamado de “pixuleco eleitoral”, Mendonça responde a Gilmar

Mendonça sustentou que não defendeu o levantamento irrestrito do sigilo de toda a investigação. “A pretensão de levantamento do sigilo de todo e qualquer procedimento, sem exceção, não partiu do relator. Veio de quem hoje se diz indignado com a...

Após ser chamado de “pixuleco eleitoral”, Mendonça responde a Gilmar

Sem mencionar o colega nominalmente, Mendonça afirmou que jamais transformou o plenário em “palanque ou picadeiro” para sustentar “ilações vazias”.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu nesta quinta-feira (17) às críticas do decano Gilmar Mendes sobre o levantamento de sigilo em um procedimento do caso Master. Sem mencionar o colega nominalmente, Mendonça afirmou que jamais transformou o plenário em “palanque ou picadeiro” para sustentar “ilações vazias”.

Gilmar havia atribuído ao relator uma atuação com objetivos “político-eleitorais” ao liberar informações que citavam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O decano também chamou Mendonça de “pixuleco eleitoral” e comparou sua conduta à de Deltan Dallagnol e Sergio Moro durante a Operação Lava Jato.

Na nota, Mendonça sustentou que não defendeu o levantamento irrestrito do sigilo de toda a investigação. “A pretensão de levantamento do sigilo de todo e qualquer procedimento, sem exceção, não partiu do relator. Veio de quem hoje se diz indignado com a publicidade dos autos”, escreveu.

O ministro disse que liberou somente um procedimento específico, com decisão fundamentada e dentro de suas atribuições. Também classificou como contraditória a crítica de quem, segundo ele, havia pedido publicidade integral para toda a investigação.

Mendonça negou qualquer complacência com vazamentos e declarou que determinou a apuração de todas as divulgações indevidas durante a investigação. Uma fase específica apura a suspeita de envolvimento de um servidor da Polícia Federal.

O relator afirmou que a preocupação com a exposição de pessoas surgiu depois da requisição de acesso ao celular de um investigado e da divulgação de conversas que constrangem ministros com entendimento diferente. Para ele, o uso indevido da publicidade estaria na tentativa de pressionar integrantes da Corte com insinuações sobre conteúdos que poderiam vir a público.

Na sessão em que o STF discutia relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ministro Alexandre de Moraes, Gilmar saiu em defesa de Gonet. O procurador-geral havia negado ter relações com Vorcaro, e Gilmar acusou Mendonça de “desfaçatez” e “leviandade”.

Mendonça reagiu no plenário: “Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira”. Após Gilmar responder “pode chorar”, o relator retrucou que não estava chorando e voltou a exigir respeito. Em seguida, o ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento e cobrou providências do presidente do STF, Edson Fachin, diante do confronto.