
Vorcaro é apontado como líder de uma suposta organização criminosa responsável por desviar recursos do Banco Master.
Autoridades que atuam nas investigações sobre as suspeitas de fraudes no Banco Master admitem reabrir conversas sobre uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, mas condicionam qualquer avanço a uma mudança de postura do ex-banqueiro: ele terá de apresentar um relato amplo, sem omissões seletivas, e indicar com precisão bens e valores mantidos no exterior. A informação foi publicada pela Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (20).
Vorcaro é apontado como líder de uma suposta organização criminosa responsável por desviar recursos do Banco Master. Para que uma nova negociação seja levada adiante, as equipes do caso esperam que ele entregue dados relevantes sobre outros envolvidos, documentos e, sobretudo, caminhos para recuperar o dinheiro que teria sido retirado da instituição.
Um dos principais interesses dos investigadores é localizar recursos enviados ao exterior. Integrantes da apuração afirmam saber da existência de valores fora do país, mas ainda não ter clareza sobre onde estão nem sobre o montante. Sem a colaboração do ex-banqueiro, a recuperação desses ativos poderia depender de uma tramitação judicial longa, com eventual condenação, trânsito em julgado e rastreamento autônomo dos recursos.
Em entrevista à GloboNews, Bialski afirmou que Vorcaro “quer falar e quer colaborar” novamente, “se precisar e se tiver a oportunidade”. Nos bastidores, porém, as conversas iniciais estariam concentradas em temas mais amplos do processo.
Bialski também pediu uma audiência com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso. O gabinete do ministro, no entanto, afasta a possibilidade de tratar de uma eventual delação. A interlocutores, Mendonça tem dito que pode receber advogados de processos sob sua relatoria, mas que não cabe a ele discutir o desenho de acordos de colaboração.
Vorcaro está preso desde junho na unidade prisional conhecida como Papudinha, no Distrito Federal. Antes, estava na Superintendência da Polícia Federal no DF, onde tinha maior acesso aos advogados. Segundo a reportagem, PF e PGR ainda não foram procuradas formalmente pela defesa para tratar de uma nova proposta.
De acordo com a apuração, um auxiliar de Vorcaro no Banco Master teria redigido o texto do projeto legislativo conhecido como “emenda Master” e enviado a Ciro Nogueira, que o apresentou sem alterações no plenário. A Polícia Federal aponta ainda que, em diálogo interceptado no WhatsApp, Vorcaro disse que o ato legislativo “saiu exatamente” como ele havia mandado.
A proposta interessava ao Master porque buscava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Na avaliação dos investigadores, a mudança poderia permitir que compradores de CDBs do banco aplicassem valores maiores na instituição.
Apesar de admitirem a utilidade de uma colaboração para acelerar a localização de ativos e aprofundar a identificação de outros possíveis envolvidos, investigadores afirmam que a apuração não depende de Vorcaro para avançar. Eles dizem já ter reunido material de forma autônoma e avaliam que o caso ainda não chegou à metade.





