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Vice de Marçal, Leonardo “Avalanche”, vira réu em SP por vínculo com o PCC

O processo tramita sob sigilo porque também envolve denúncia de violência política contra mulher. A Justiça concedeu medidas protetivas a duas pessoas, impedindo Avalanche de se aproximar delas a menos de 500 metros ou de manter contato.

Vice de Marçal, Leonardo “Avalanche”, vira réu em SP por vínculo com o PCC

O MPE aponta Avalanche como “mentor intelectual e principal beneficiário” de um esquema que teria fraudado a eleição interna do PRTB.

Leonardo “Avalanche”, presidente do PRTB e candidato a vice-presidente na chapa de Pablo Marçal, tornou-se réu na Justiça de São Paulo sob acusações de associação criminosa, ameaça e manipulação de sistema público de informações. A ação decorre de denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) sobre a disputa pelo controle do partido em 2024 e do vínculo do político com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O processo tramita sob sigilo porque também envolve denúncia de violência política contra mulher. A Justiça concedeu medidas protetivas a duas pessoas, impedindo Avalanche de se aproximar delas a menos de 500 metros ou de manter contato.

O MPE aponta Avalanche como “mentor intelectual e principal beneficiário” de um esquema que teria fraudado a eleição interna do PRTB. A denúncia sustenta que pessoas usaram documentos de identidade falsos para se passarem por fundadores da legenda na convenção realizada em Brasília, em 23 de fevereiro de 2024.

Maxson Rodrigues Milton também responde no caso, acusado de recrutar entre 30 e 35 pessoas para a votação. Segundo a acusação, ele reuniu fotografias para a produção de RGs falsos e orientou os participantes a decorarem dados e treinarem assinaturas para evitar a identificação pela fiscalização eleitoral.

Leonardo Avalanche, presidente do PRTB. Foto: reprodução

A denúncia descreve ameaças contra Rachel de Carvalho, então vice-presidente do PRTB. Ela afirmou à polícia que, em 16 de março de 2024, foi levada ao escritório do advogado Joaquim Pereira de Paulo Neto e submetida a pressões para abrir mão do comando do diretório paulista.

De acordo com o relato atribuído a Rachel pelo MPE, os envolvidos disseram: “Não é um acordo, nem uma proposta, nós vamos pegar o Estado de São Paulo de vocês, e olha nos meus olhos, se você não se comportar, você nunca mais vai olhar nos olhos de ninguém, nem nos meus, nem no de ninguém”.

Rachel também relatou ter sido coagida a assinar uma renúncia em 3 de abril, um dia após a morte de seu pai. A acusação afirma que ela foi levada a um local onde estavam pessoas identificadas como integrantes do PCC e ouviu que poderia “ir visitar o cemitério muitas vezes” se não deixasse o cargo.

Joaquim Pereira de Paulo Neto e Patrícia Reitter negam as acusações. Joaquim disse que não participou da reunião em que Rachel afirma ter sofrido coação e alegou que ela havia feito um acordo para receber dez parcelas de R$ 30 mil pela saída do cargo, das quais Avalanche teria pago três. Avalanche não respondeu aos contatos feitos na quarta-feira (19).