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Presidente Lula e Donald Trump evitam contato em encontro do G7

Ao chegar ao local da foto de família, Lula cumprimentou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi. Trump estava posicionado ao lado do líder egípcio,...

Presidente Lula e Donald Trump evitam contato em encontro do G7

A disposição dos líderes foi definida pela organização do encontro.

O presidente Lula participou nesta terça-feira (16) das atividades do G7 ampliado, em Évian-les-Bains, na França, sem registrar qualquer interação pública com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois líderes estiveram presentes tanto na foto oficial dos chefes de Estado e de governo quanto na reunião ampliada do grupo, mas não trocaram cumprimentos durante os momentos acompanhados pela imprensa.

Ao chegar ao local da foto de família, Lula cumprimentou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi. Trump estava posicionado ao lado do líder egípcio, mas conversava com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, com auxílio de um intérprete no momento em que o presidente brasileiro passou pelo local.

Em seguida, Lula contornou o grupo por trás da delegação sul-coreana e assumiu sua posição para a fotografia oficial. O presidente brasileiro ficou em uma das extremidades da formação, ao lado do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. A disposição dos líderes foi definida pela organização do encontro.

Após o registro da foto oficial, também não houve contato entre Lula e Trump. O presidente dos Estados Unidos passou próximo ao brasileiro, mas Lula conversava com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Os dois seguiram para compromissos distintos logo depois da cerimônia.

Além do Brasil, participaram como convidados Índia, Coreia do Sul, Egito e Quênia. Na sequência, os chefes de Estado participaram da sessão ampliada do G7, dedicada ao tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”.

A reunião ocorreu a portas fechadas e contou também com representantes de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Lula faria um discurso durante o encontro. Na mesa de trabalho, o presidente brasileiro ficou posicionado praticamente de frente para Trump.

A presença de ambos no mesmo espaço alimentou especulações sobre a possibilidade de uma conversa bilateral, especialmente após a proposta apresentada em 2 de junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que prevê uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros e mais 12,5% relacionados a alegações sobre controle de importações produzidas com trabalho forçado.

O governo brasileiro, porém, negou que a participação de Lula na cúpula tenha sido motivada pela busca de uma reunião com o líder estadunidense. Nos bastidores, integrantes do governo afirmaram que uma conversa informal entre os dois presidentes não seria suficiente para tratar de um tema considerado complexo, como as medidas comerciais propostas pelos Estados Unidos.

Um novo momento de encontro entre os líderes ainda poderia ocorrer durante o jantar oficial oferecido aos chefes de Estado e convidados da cúpula. Além da agenda do G7, Lula tem reuniões previstas com Ursula von der Leyen e António Costa.

Entre os temas em discussão está a decisão da União Europeia de excluir produtos brasileiros de origem animal de seu mercado a partir de setembro. A medida foi anunciada em maio, poucos dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Na segunda-feira (15), António Costa comentou o tema durante entrevista. “Isso é um assunto que tem que colocar à Comissão, é um assunto que a Comissão está a tratar”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Como sabe, nós com o Brasil fizemos colado no Mercosul um grande acordo este ano, que está agora a ser retribuído, que entrou já em pleno vigor. Obviamente, as normas sanitárias têm que ser cumpridas, mas a Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil”.

Também na semana passada, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, comentou a decisão europeia. “Nós ficamos um pouco surpresos pela maneira como foi”, declarou.