
Na trama, Armie Hammer interpreta um empresário americano que decide fazer justiça com as próprias mãos e inicia uma campanha violenta contra criminosos em um país europeu não identificado.
O trilionário Elon Musk transformou um filme abertamente fascista em um fenômeno de audiência ao disponibilizá-lo gratuitamente em sua conta na rede social X. O thriller “Cidadão Vigilante”, estrelado por Armie Hammer e dirigido pelo alemão Uwe Boll, ganhou projeção internacional após o empresário compartilhar a produção em sua conta no X.
A iniciativa fez disparar o interesse pelo longa e coincidiu com a expansão de sua distribuição global. Lançado nos Estados Unidos em 19 de junho pela Quiver Distribution, o filme teve os direitos mundiais adquiridos pela distribuidora após a repercussão, segundo a revista Variety.
Musk ainda escreveu em sua conta: “Cidadão Vigilante 2 será ainda melhor”, indicando apoio à continuação da obra.
Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, o diretor Uwe Boll afirmou que o órgão alemão de classificação indicativa, o FSK (Conselho Alemão de Autorregulação da Indústria Cinematográfica), se recusou a conceder certificado ao filme por considerar que ele “incitava violência contra imigrantes”.
Segundo Boll, a decisão representou um ato deliberado de censura. O cineasta chegou a recorrer judicialmente, mas perdeu a disputa por seis votos a dois.
Na trama, Armie Hammer interpreta um empresário americano que decide fazer justiça com as próprias mãos e inicia uma campanha violenta contra criminosos em um país europeu não identificado.
Boll afirma que o roteiro foi inspirado em um caso ocorrido em Hamburgo, em 2016, quando três adolescentes condenados por estupro coletivo receberam penas depois suspensas.
A divulgação do longa por Elon Musk deu novo fôlego ao filme em meio às disputas culturais e políticas sobre imigração. O empresário tem manifestado apoio frequente a grupos de extrema-direita direita contrários à imigração, especialmente após o ataque com faca ocorrido em Belfast, em junho.
Em entrevista à Variety, Boll afirmou que o próprio Musk pediu acesso ao filme por meio da equipe responsável pelo podcast Uwe Boll Raw.
Conhecido por acumular críticas e frequentemente apontado como um dos piores diretores da história do cinema, Uwe Boll voltou a provocar polêmica ao participar do podcast comandado por Mark Collett, líder do grupo nacionalista britânico Patriotic Alternative.
Na entrevista, Boll afirmou que tenta lançar o filme no Reino Unido e criticou políticas de diversidade e imigração.
“Nós mostramos as coisas como elas são. Dizemos o que muita gente pensa, mas não tem coragem de falar em público. Estamos cansados da política em torno da imigração e também desse ciclo interminável de filmes com exigências de diversidade”, declarou.

A escalação de Armie Hammer para o papel principal já havia despertado críticas. O ator tenta reconstruir sua carreira desde as acusações de estupro e abuso feitas contra ele em 2021.
As autoridades de Los Angeles decidiram não apresentar acusações criminais por agressão sexual. Hammer também negou publicamente as acusações de abuso e rejeitou as alegações de canibalismo que circularam nas redes sociais e em reportagens.
Todd Gilchrist, crítico da Variety, classificou o longa como “uma exploração violenta, incoerente e moralmente falida”, acrescentando que o resultado é “tão incrivelmente ruim que parece que Uwe Boll está sabotando deliberadamente seu próprio protagonista”.





