Um episódio de grande repercussão ocorreu em 9 de abril, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu R$ 746 mil em dinheiro vivo durante uma operação no km 7 da Fernão Dias, na cidade de Vargem, São Paulo. O valor foi encontrado em um carro dirigido pelo policial civil aposentado Sergio Felipe, que alegou ter recebido o montante de Jonas Boffa de Azevedo, ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo e do partido Podemos. De acordo com Felipe, o dinheiro seria levado a Minas Gerais para “investimentos”.
Jonas Boffa de Azevedo, de 33 anos, foi assessor do partido Podemos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) entre 2023 e 2024 e também trabalhou como assessor na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer da capital. Ele é irmão de Cesar Angel Boffa de Azevedo, ex-secretário na gestão do prefeito Bruno Covas. Em sua defesa, Jonas explicou que visitou um evento do Podemos em São Paulo, mas que não teve qualquer encontro com membros do partido. Ele ainda afirmou que o dinheiro, que tinha origem “lícita”, vinha da venda de um imóvel.
A investigação revelou que o montante foi entregue a José do Carmo Vieira, identificado como “coordenador político” do Podemos. Vieira informou que o dinheiro foi entregue por Jonas para ser levado a Minas Gerais, mas o Podemos, por meio de nota oficial, negou qualquer envolvimento do partido com o episódio. O partido ressaltou que “nenhum recurso circulou por suas dependências” e que a situação era uma relação privada entre Jonas e José do Carmo.
A situação se complicou ainda mais quando, horas antes da apreensão do dinheiro, o policial civil aposentado Sergio Felipe publicou uma foto em seu Instagram em frente a um banner anunciando um evento da Fundação Juntos Podemos, que ocorreria dois dias depois. O evento teve a participação da presidente do Podemos, Renata Abreu, e de cinco deputados federais paulistas. Essa coincidência levantou mais suspeitas sobre a possível relação entre o episódio e a legenda.

Além disso, tanto Felipe quanto Vieira foram levados à Polícia Federal (PF) em Campinas, onde prestaram depoimento sob suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro e crime eleitoral. O caso gerou grande repercussão devido à origem do valor e às pessoas envolvidas, todas com vínculos com o cenário político. A PRF indicou que os suspeitos demonstraram nervosismo durante a apreensão e forneceram explicações antes de serem questionados.
Os agentes da PRF que participaram da apreensão encontraram o dinheiro escondido em uma caixa de papelão no banco de trás do veículo. Em seu depoimento, a PRF apontou que José do Carmo Vieira é sócio de uma empresa chamada Mar de Minas Cooperativa de Transportes, que possui contrato com uma prefeitura mineira para o transporte de passageiros intermunicipais utilizando vans e ônibus. Já Sergio Felipe é membro da Comissão Regional de Transportes e Trânsito (CRTT), o que acrescenta mais complexidade ao caso.
O processo segue em investigação pela Polícia Federal, que tenta determinar a origem e o destino do dinheiro. Enquanto isso, o Podemos continua a se distanciar do incidente, reafirmando que não houve envolvimento da legenda e que o caso diz respeito a uma relação pessoal entre os envolvidos. O Metrópoles tentou entrar em contato com os acusados, mas não obteve resposta de Jonas Boffa de Azevedo nem de José do Carmo Vieira.
A apreensão de R$ 746 mil tem levantado questões sobre a transparência financeira dentro do partido Podemos, especialmente considerando as circunstâncias e o histórico de figuras envolvidas no episódio. O caso segue sendo monitorado, enquanto as autoridades continuam a apurar a situação e a investigar a possível lavagem de dinheiro e outros crimes eleitorais.





