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Flávio Bolsonaro anuncia deputado acusado de estuprar menina de 13 como vice em sua chapa

Em março, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) divulgaram o boletim de ocorrência que há contra Gaspar. Na ocasião, o bolsonarista presidia a CPMI do INSS e tentava protocolar o indiciamento de mais de...

Flávio Bolsonaro anuncia deputado acusado de estuprar menina de 13 como vice em sua chapa

Flávio Bolsonaro escolheu Alfredo Gaspar, acusado de estuprar uma adolescente de 13 anos, como seu candidato a vice-presidente na chapa que disputará as eleições de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), acusado de estuprar uma adolescente de 13 anos, como seu candidato a vice-presidente na chapa que disputará as eleições de 2026. A escolha foi formalizada em coletiva de imprensa no último dia do prazo para convenções partidárias, após Flávio antecipar a definição para evitar riscos de judicialização.

A chapa pura, formada exclusivamente por integrantes do PL, ocorreu após o partido não conseguir coligações com PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, que optaram pela neutralidade na corrida presidencial.

Alfredo Gaspar é advogado e deputado federal por Alagoas, com 24 anos de atuação no Ministério Público de Alagoas, onde chegou a procurador-geral de Justiça. Também foi secretário de Defesa Social e de Segurança Pública do estado, com foco no combate ao crime organizado. Sua primeira eleição foi em 2020, quando disputou a Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno.

Em 2022, foi eleito deputado federal pelo União Brasil, filiando-se ao PL em 2026 para assumir o comando estadual do partido. Gaspar foi relator da CPMI do INSS, uma das principais fontes de desgaste do governo Lula, e atualmente responde a um processo no Conselho de Ética da Câmara por suposta quebra de decoro.

Acusação de estupro

Em março, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) divulgaram o boletim de ocorrência que há contra Gaspar. Na ocasião, o bolsonarista presidia a CPMI do INSS e tentava protocolar o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com Lindbergh e Soraya, a acusação de estupro envolve um caso em que uma adolescente de 13 anos teria engravidado de Gaspar, gerando uma criança hoje com 8 anos. A denúncia ainda afirma que a avó da criança foi registrada como mãe da vítima, que teria sido manipulada para manter a paternidade do suspeito em segredo.

Além disso, os parlamentares alegam que um intermediário de Gaspar teria oferecido um pagamento de R$ 70 mil à mulher para que ela mantivesse silêncio sobre o ocorrido, com outros R$ 400 mil sendo negociados para garantir a impunidade de Gaspar.

Diante dessas acusações, os parlamentares pediram à Polícia Federal que investigasse os fatos, preservasse as provas entregues e tomasse as medidas necessárias para garantir a proteção da vítima e das testemunhas. Segundo eles, as evidências, incluindo prints de conversas, foram enviadas à PF sob sigilo.

Para se defender, Gaspar compartilhou o vídeo de uma mulher dizendo que não é filha dele e apresentou o teste de DNA feito por eles. No entanto, Thronicke afirmou que essa pessoa não seria a tal filha fruto da relação de estupro do bolsonarista com a menina de 13 anos, que hoje teria 21 enquanto a criança estaria com 8 anos.

Gaspar como vice

Em sua primeira fala como candidato a vice, Gaspar lamentou a ausência do pai e de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. “Ao seu lado marcharei para a gente transformar esse Brasil num lugar justo e decente”, disse, enaltecendo sua origem nordestina.

Apesar da chapa pura, integrantes de peso do Centrão declararam apoio a Flávio, como o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques (Republicanos) chegaram a ser cotadas para a vice, mas não obtiveram aval de seus partidos.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não participou do evento, embora Flávio tenha citado as mulheres que estavam no palco e foram cogitadas para a vaga. Os dois protagonizaram uma briga pública que desgastou a campanha, mas fizeram as pazes semanas depois. A ausência de Michelle, no entanto, reacendeu especulações sobre o real engajamento dela na campanha do enteado.