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Renan diz que Valdemar sabia da “proximidade tóxica” de Lira após bloqueios no STF

A Polícia Federal afirma que Mariângela Fialek dominava sistemas internos da Câmara e os fluxos de tramitação das emendas parlamentares. Esse conhecimento, segundo a investigação, permitia acompanhar, remanejar e fracionar recursos conforme orientações atribuídas a Eduardo Cunha.

Renan diz que Valdemar sabia da “proximidade tóxica” de Lira após bloqueios no STF

“Não é o primeiro, nem será o último que entra pelo cano com os malfeitos no orçamento. (…) Muita gente está sem dormir”, escreveu Renan em publicação no X.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou nas redes sociais que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sabia da “proximidade tóxica” que cerca o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). A declaração veio após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou bloqueio de bens de Valdemar e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em investigação sobre emendas parlamentares.

“Não é o primeiro, nem será o último que entra pelo cano com os malfeitos no orçamento. (…) Muita gente está sem dormir”, escreveu Renan em publicação no X.

O senador também citou Mariângela Fialek, servidora da Câmara conhecida como “Tuca”. “A assessora, conhecida por Tuca, é nitroglicerina”, afirmou. A Polícia Federal aponta Mariângela como operadora de um esquema de repasses irregulares de emendas parlamentares.

Renan é um dos principais adversários políticos de Arthur Lira em Alagoas. Ao mencionar Valdemar, Lira e “Tuca”, o senador aumentou a disputa política local às apurações sobre a destinação de recursos do orçamento no Congresso.

A Polícia Federal afirma que Mariângela Fialek dominava sistemas internos da Câmara e os fluxos de tramitação das emendas parlamentares. Esse conhecimento, segundo a investigação, permitia acompanhar, remanejar e fracionar recursos conforme orientações atribuídas a Eduardo Cunha.

Os investigadores sustentam que Cunha manteve influência sobre a distribuição de verbas da Comissão de Saúde mesmo sem mandato desde 2016. Parte dessa conclusão saiu da análise do telefone celular apreendido com Mariângela.

Eduardo Cunha
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução

O aparelho reunia planilhas, anotações e mensagens que, para a PF, indicam uma estrutura paralela de gerenciamento de emendas supostamente coordenada por Cunha. Os registros apontam negociações sobre a destinação de recursos e alterações de beneficiários conforme interesses políticos.

Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens e ativos de Eduardo Cunha no âmbito da investigação. Na decisão, o ministro citou indícios de que o ex-deputado atuou por meio de um “arranjo decisório paralelo” e afirmou que os elementos reunidos apontam “sintomas inequívocos” da possível prática de peculato.

A investigação é um desdobramento da Operação Transparência e identificou 29 emendas que somam mais de R$ 6 milhões. A PF apura se as indicações foram formalizadas para ocultar o papel de Cunha como articulador das demandas; mensagens no celular de Mariângela também apontam uma “cota informal” de recursos direcionada a Minas Gerais.