
Ao comentar as denúncias, Romeu Zema não respondeu às acusações sobre o desaparecimento das peças do Palácio das Mangabeiras. Em vez disso, afirmou que economizou dinheiro público ao decidir não morar na residência oficial.
A denúncia foi apresentada com base em inspeções e investigações conduzidas pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que aponta a falta de um inventário público e o desaparecimento de obras de arte, móveis históricos, pratarias, louças e livros que pertenciam à antiga residência oficial dos governadores mineiros.
Apesar de parte do acervo ter sido localizada — entre elas um biombo de Emiliano Di Cavalcanti, hoje exposto no Palácio da Liberdade, e livros transferidos para a Biblioteca Pública Estadual — o governo de Minas Gerais ainda não apresentou um inventário público detalhado das pelo menos 294 peças retiradas do Palácio das Mangabeiras.
Questionado sobre o paradeiro dos bens, o governo informou que o documento existe, mas seu acesso é restrito a servidores autorizados.
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) confirmou que recebeu a representação e analisa se abrirá um processo para investigar o caso.
Projetado por Oscar Niemeyer, o Palácio das Mangabeiras deixou de ser residência oficial em 2019, após decisão do então governador Romeu Zema. Desde então, o imóvel passou a ser administrado pela Codemge e a receber eventos privados, como a CasaCor.
Durante uma vistoria realizada em julho de 2026, deputados estaduais encontraram apenas cinco peças do mobiliário original: uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano. O restante do acervo não foi localizado.
A denúncia também reproduz declarações do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. Em audiência na Assembleia Legislativa, ele afirmou que encontrou, em 2020, 44 obras de arte armazenadas de forma inadequada pela Polícia Militar, cobertas apenas por tecidos.
Segundo o secretário, um biombo de quatro metros de Emiliano Di Cavalcanti sofreu danos durante o armazenamento, e outras obras de artistas como Tarsila do Amaral também apresentaram problemas de conservação.
A notícia-crime sustenta que a Polícia Federal deve assumir o caso porque o Palácio das Mangabeiras integra o conjunto paisagístico da Serra do Curral, tombado pelo IPHAN, o que caracteriza interesse da União na preservação do patrimônio cultural.
O documento pede a abertura de investigação por possíveis crimes como peculato e dano ao patrimônio público, além da realização de perícias técnicas nas obras e da oitiva de Leônidas Oliveira, dirigentes da Codemge e oficiais da Polícia Militar.
Ao comentar as denúncias, Romeu Zema não respondeu às acusações sobre o desaparecimento das peças do Palácio das Mangabeiras. Em vez disso, afirmou que economizou dinheiro público ao decidir não morar na residência oficial.
O ex-governador também criticou governos anteriores, dizendo que o Palácio mantinha “32 empregadas, mordomos e governantas”, além de despesas com “lagosta” e “vinho do mais caro”. Zema ainda acusou seu antecessor, Fernando Pimentel (PT), de utilizar helicóptero diariamente para deslocamentos.





