
O México concentra o maior número de infecções no continente. Até a primeira quinzena de abril, o país contabilizava 9.207 casos, superando com folga os 6.152 registrados durante todo o ano passado.
Os altos números de sarampo registrados nos países que sediarão a Copa do Mundo de 2026 têm provocado preocupação entre entidades médicas brasileiras e o Ministério da Saúde. O temor das autoridades é que o fluxo intenso de turistas durante o torneio favoreça a importação de novos casos para o Brasil, hoje considerado livre da doença.
O México concentra o maior número de infecções no continente. Até a primeira quinzena de abril, o país contabilizava 9.207 casos, superando com folga os 6.152 registrados durante todo o ano passado. Em 2024, haviam sido apenas sete ocorrências. O crescimento acelerado colocou o país no centro das atenções sanitárias às vésperas do Mundial.
O Canadá também enfrenta avanço da doença. O país perdeu o status de livre do sarampo após registrar 5.062 casos em 2025. Neste ano, já soma 871 confirmações. Nos Estados Unidos, foram contabilizados 2.144 casos em 2025 e outros 1.730 em 2026 até agora.
Enquanto os países-sede acumulam milhares de registros, o Brasil mantém números baixos. Em 2025, foram 38 casos confirmados no país. Neste ano, o Ministério da Saúde registrou apenas três infecções.

A pediatra Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, afirmou que ainda existem brechas na cobertura vacinal brasileira, principalmente entre adultos. “A gente recuperou a cobertura vacinal, que vinha em queda, mas esses cálculos são feitos com crianças. Há algum grau de pessoas adultas sem o esquema vacinal completo, e são majoritariamente essas pessoas que vão à Copa”, explicou.
Segundo a especialista, o retorno simultâneo de viajantes infectados para diferentes regiões pode dificultar a atuação da vigilância epidemiológica. “Graças à nossa vigilância, a gente vem de anos com casos apenas importados. Porém, se várias pessoas retornam ao país com o vírus incubado e se distribuem para diferentes regiões, isso torna muito mais difícil a identificação pela vigilância, e pode resultar em surtos locais, que são o começo das epidemias”, afirmou.
O Ministério da Saúde publicou no fim de abril uma nota técnica alertando para o risco elevado de reintrodução do sarampo no Brasil. O documento cita surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes e brasileiros não vacinados como fatores de preocupação.
Em 2025, foram registrados 14.767 casos em 13 países, quase 32 vezes mais do que no ano anterior. Em 2026, até 5 de abril, mais de 15,3 mil casos já haviam sido confirmados no continente.





