
Cepeda admitiu publicamente a derrota em uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (24), três dias após a votação.
Iván Cepeda reconheceu a derrota nas eleições presidenciais da Colômbia e afirmou que Abelardo de la Espriella será o novo presidente do país, após o escrutínio indicar a manutenção da vantagem mínima obtida pelo candidato de direita na pré-contagem. O senador de esquerda havia condicionado o reconhecimento do resultado à apuração final, depois de uma disputa marcada por margem estreita, pedido de impugnação de mesas eleitorais e forte polarização política.
Cepeda admitiu publicamente a derrota em uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (24), três dias após a votação. O candidato ficou atrás de Espriella por menos de um ponto percentual na contagem preliminar divulgada no domingo (21), resultado que já apontava a vitória do adversário de direita. “Decidi aceitar o resultado que emerge desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, declarou Cepeda.
O Registrador Nacional da Colômbia informou na terça-feira (23) que a contagem final dos votos da disputa presidencial apresentou uma divergência de apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração inicial. Segundo o órgão eleitoral colombiano, a variação não representou mudança significativa diante do resultado preliminar.
Na pré-contagem, Abelardo de la Espriella aparecia à frente com 49,6% dos votos, mantendo vantagem inferior a 1% sobre Iván Cepeda. Os números iniciais indicavam 12.959.542 votos para Espriella e 12.708.712 para Cepeda, uma diferença de cerca de 250 mil votos.
O escrutínio é uma fase prevista no processo eleitoral colombiano. Nessa etapa, o Conselho Nacional Eleitoral, principal autoridade eleitoral do país, revisa a contagem feita depois do fechamento das urnas. O procedimento ocorre em sessões acompanhadas por representantes e advogados dos partidos, além do Ministério Público.
A análise também permite verificar inconsistências e examinar pedidos de recontagem que não tenham sido resolvidos na pré-contagem. Somente após essa fase o resultado oficial é proclamado.
Antes de reconhecer a derrota, Cepeda havia anunciado que seu partido pediria a impugnação de 33 mil mesas eleitorais. Segundo ele, juristas que atuaram como observadores da campanha identificaram erros em diferentes seções eleitorais.
“Nossos advogados e advogadas estão procedendo para impugnar 33 mil mesas em todo o país”, afirmou Cepeda, em pronunciamento feito após a divulgação do resultado preliminar favorável a Espriella.
Na Colômbia, a impugnação pode ser solicitada quando há suspeita de erro técnico ou irregularidade na votação ou na apuração. Caso a Justiça eleitoral aceite o pedido, as urnas das mesas indicadas podem ser recontadas.
Após a pré-contagem, Cepeda havia dito que reconhecia a apuração inicial, mas esperaria a contagem total e o andamento do processo de impugnação. “Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado”, declarou.
“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”, escreveu Petro.
A Colômbia voltou às urnas no domingo para o segundo turno das eleições presidenciais, disputado por Cepeda e Espriella. Até a última atualização da reportagem original, 99,99% das urnas haviam sido apuradas na contagem inicial.
Ainda durante a fase preliminar da apuração, Abelardo de la Espriella comemorou o resultado usando uma camisa da seleção colombiana. Em sua fala, defendeu acordos militares com os Estados Unidos para enfrentar o crime organizado.
“Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, afirmou.
Advogado e empresário, Espriella fez campanha com um discurso antissistema e propostas duras para a segurança pública. Admirador de políticas adotadas por Donald Trump e Nayib Bukele, ele prometeu uma ofensiva militar contra grupos armados e narcotraficantes, além da construção de megapresídios.
Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, o candidato também defendeu a retirada da Colômbia de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos. Segundo ele, essas instituições serviriam para promover “políticas de esquerda”.
Abelardo de la Espriella não tinha experiência política antes da disputa presidencial. Em sua campanha, apresentou-se como um “salvador antissistema” e prometeu reduzir gastos públicos de forma radical.
Ele é cidadão naturalizado dos Estados Unidos, viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Donald Trump. Entre suas propostas, estão a redução do tamanho do Estado em 40% e o corte de impostos corporativos como forma de estimular o emprego no setor privado.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou.
A segurança pública apareceu como tema central da campanha. Pesquisas de opinião citadas no texto original apontam a violência como a principal preocupação dos colombianos, acima da economia, afetada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo ter elevado o salário mínimo nominal em 75% e reduzido o desemprego.
Ao contrário de Cepeda, Espriella não defende o diálogo como caminho para enfrentar guerrilhas remanescentes e grupos armados que atuam no país. Ele também responsabiliza o governo Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia.
Espriella também esteve envolvido em polêmicas durante sua trajetória. Em uma entrevista na televisão, gabou-se do tamanho do órgão genital e disse que isso o ajudava a conquistar votos. O advogado também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos Estados Unidos de atuar como laranja do governo de Nicolás Maduro.
Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio. Espriella afirma que a relação profissional com ele começou antes das acusações e que os dois deixaram de trabalhar juntos há seis anos.
A vitória de Espriella foi comemorada pelo presidente da Argentina, Javier Milei. “O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás”, publicou o argentino em uma rede social.
Com o reconhecimento da derrota por Cepeda, Espriella se junta a outros líderes de direita eleitos recentemente na América Latina, em um cenário regional marcado por disputas polarizadas e mudanças no equilíbrio político entre governos de esquerda e direita.





