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Vaticano ameaça excomungar grupo católico tradicionalista que cresce no Brasil

A cerimônia está marcada para 1º de julho em Écône, na Suíça. Durante uma missa na capela da Fraternidade na Vila Mariana, em São Paulo, o padre convidou fiéis brasileiros a integrar a comitiva que pretende viajar à Europa e...

Vaticano ameaça excomungar grupo católico tradicionalista que cresce no Brasil

O Vaticano avisou que pode excomungar bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X caso a congregação tradicionalista siga com a sagração de novos bispos sem autorização do papa.

O Vaticano avisou que pode excomungar bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X caso a congregação tradicionalista siga com a sagração de novos bispos sem autorização do papa. O grupo, que celebra missas em latim e rejeita reformas modernizantes da Igreja Católica, atua hoje em 14 capelas no Brasil.

A cerimônia está marcada para 1º de julho em Écône, na Suíça. Durante uma missa na capela da Fraternidade na Vila Mariana, em São Paulo, o padre convidou fiéis brasileiros a integrar a comitiva que pretende viajar à Europa e pediu orações pelos novos bispos.

Na celebração paulistana, o padre conduziu a missa em latim, de costas para os fiéis durante boa parte do rito, diante de altar com crucifixo, flores e castiçais. A capela ficou lotada, com pessoas em pé nas laterais e nas escadas do mezanino, enquanto mulheres e meninas usavam saias longas e lenços de renda sobre os cabelos.

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Livreto com os cânticos em Latim. Foto: Reprodução

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu em 1970 na Suíça, fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. Em 1988, Lefebvre recebeu excomunhão depois de sagrar quatro bispos sem aval do papa João Paulo 2º. “A excomunhão é algo raríssimo de acontecer”, disse o historiador Vinícius Couzzi Mérida, mestre e doutor em Ciências da Religião. “Uma coisa que acontece uma ou duas vezes por século.”

Com o concílio, a Igreja incentivou a aproximação dos fiéis da Bíblia, grupos leigos de leitura dos textos religiosos e diálogo com religiões não cristãs. Mérida afirma que a reação conservadora foi forte: “Muitos padres e seminaristas entenderam que a Igreja estava num processo de ruptura para o nascimento de uma outra igreja, mais progressista, alinhada ao mundo moderno. Isso, de fato, causou muita confusão”. Segundo ele, mais de 40 mil padres deixaram o sacerdócio nessa época.

A chegada da Fraternidade ao Brasil teve relação com a Diocese de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, que também rejeitava o Concílio Vaticano 2º e celebrava a missa tridentina. Em 2002, a diocese se reconciliou com o Vaticano, aceitou o concílio e manteve a liturgia antiga com autorização papal. “Os ‘padres de Campos’ pediram perdão e voltaram à plena comunhão com a Santa Sé — e por isso foram chamados de traidores pelos antigos aliados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X”, afirmou Mérida.

A Fraternidade lista capelas em São Paulo, Indaiatuba, Ribeirão Preto, Sorocaba, Itapetininga, São José do Rio Preto, Passos, Curitiba, Cuiabá, Campo Grande, Fortaleza, Parnaíba, Teresina e São Luís. Mérida afirma que o grupo reúne cerca de um milhão de fiéis no mundo e cerca de 700 padres. A BBC News Brasil tentou contato com o padre Juan María de Montagut Puertollano, superior da congregação no Brasil, por telefone e e-mail, mas não obteve resposta; a CNBB também não retornou os pedidos de entrevista.