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Investigado por irregularidades, filme sobre Bolsonaro pede lançamento à Ancine

O longa é dirigido pelo cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, tem o ator Jim Caviezel no papel principal e contou com roteiro do deputado federal Mario Frias (PL-SP). A produção é assinada pela Go Up Entertainment, empresa brasileira sediada na Califórnia, e reuniu profissionais...

Investigado por irregularidades, filme sobre Bolsonaro pede lançamento à Ancine

Desde o início das filmagens, entretanto, o projeto acumulou controvérsias. Entre elas estão denúncias de pagamentos em atraso, relatos de agressões e acusações de assédio moral envolvendo figurantes brasileiros durante a produção.

A distribuidora Europa Filmes protocolou na Agência Nacional do Cinema (Ancine) o pedido de registro de obra estrangeira para “Dark Horse”, longa-metragem sobre a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada pela própria agência e divulgada inicialmente pela Folha de São Paulo. O procedimento é obrigatório para que produções internacionais possam ser lançadas comercialmente no Brasil.

Além desse registro, o filme ainda precisará obter o Certificado de Registro de Título junto à Ancine e a classificação indicativa, emitida pelo Ministério da Justiça, antes de ser exibido nas salas de cinema. Embora a análise desse tipo de solicitação costume levar cerca de um mês, a expectativa é de que o processo seja mais demorado neste caso.

Isso porque a Ancine conduz uma apuração sobre possíveis irregularidades envolvendo a produção, entre elas a suposta ausência da comunicação prévia exigida para filmagens de obras estrangeiras realizadas em território brasileiro.

Inicialmente planejado para estrear antes das eleições presidenciais de 4 de outubro, “Dark Horse” segue sem uma data oficial de lançamento.

Desde o início das filmagens, entretanto, o projeto acumulou controvérsias. Entre elas estão denúncias de pagamentos em atraso, relatos de agressões e acusações de assédio moral envolvendo figurantes brasileiros durante a produção.

Outro foco de repercussão surgiu após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a reportagem, Flávio solicitou recursos para concluir o filme, e Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões previstos para financiar a produção.

O pedido de registro na Ancine ocorre poucos dias depois de a Paris Filmes divulgar uma nota informando que recusou uma proposta para distribuir o longa no mercado brasileiro. Sem essa parceria, a Europa Filmes assumiu o processo de distribuição.

Como referência recente, o documentário “A Colisão dos Destinos”, também centrado em Bolsonaro, foi lançado em maio em 17 estados, mas teve circulação limitada, ficando fora dos principais complexos exibidores e do circuito Rio-São Paulo.

A Europa Filmes mantém registro na Ancine desde 2010 e possui diversos títulos distribuídos no país. Em 2023, porém, a agência reprovou a prestação de contas da empresa relativa à distribuição do filme “Marcha da Vida”, sobre sobreviventes do Holocausto, determinando a devolução de recursos públicos utilizados no projeto.

Já a Go Up Entertainment está registrada na Ancine desde 2025 e ainda não lançou produções no Brasil nem no exterior. A empresa foi fundada pela jornalista Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil. A entidade é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de um repasse de R$ 2 milhões ao deputado Mario Frias para a produção de filmes.