
Desde o início das filmagens, entretanto, o projeto acumulou controvérsias. Entre elas estão denúncias de pagamentos em atraso, relatos de agressões e acusações de assédio moral envolvendo figurantes brasileiros durante a produção.
A distribuidora Europa Filmes protocolou na Agência Nacional do Cinema (Ancine) o pedido de registro de obra estrangeira para “Dark Horse”, longa-metragem sobre a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada pela própria agência e divulgada inicialmente pela Folha de São Paulo. O procedimento é obrigatório para que produções internacionais possam ser lançadas comercialmente no Brasil.
Isso porque a Ancine conduz uma apuração sobre possíveis irregularidades envolvendo a produção, entre elas a suposta ausência da comunicação prévia exigida para filmagens de obras estrangeiras realizadas em território brasileiro.
Inicialmente planejado para estrear antes das eleições presidenciais de 4 de outubro, “Dark Horse” segue sem uma data oficial de lançamento.
Desde o início das filmagens, entretanto, o projeto acumulou controvérsias. Entre elas estão denúncias de pagamentos em atraso, relatos de agressões e acusações de assédio moral envolvendo figurantes brasileiros durante a produção.
Outro foco de repercussão surgiu após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a reportagem, Flávio solicitou recursos para concluir o filme, e Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões previstos para financiar a produção.
O pedido de registro na Ancine ocorre poucos dias depois de a Paris Filmes divulgar uma nota informando que recusou uma proposta para distribuir o longa no mercado brasileiro. Sem essa parceria, a Europa Filmes assumiu o processo de distribuição.
Como referência recente, o documentário “A Colisão dos Destinos”, também centrado em Bolsonaro, foi lançado em maio em 17 estados, mas teve circulação limitada, ficando fora dos principais complexos exibidores e do circuito Rio-São Paulo.
A Europa Filmes mantém registro na Ancine desde 2010 e possui diversos títulos distribuídos no país. Em 2023, porém, a agência reprovou a prestação de contas da empresa relativa à distribuição do filme “Marcha da Vida”, sobre sobreviventes do Holocausto, determinando a devolução de recursos públicos utilizados no projeto.
Já a Go Up Entertainment está registrada na Ancine desde 2025 e ainda não lançou produções no Brasil nem no exterior. A empresa foi fundada pela jornalista Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil. A entidade é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de um repasse de R$ 2 milhões ao deputado Mario Frias para a produção de filmes.





