
Segundo Mendonça, embora a magistratura ofereça uma remuneração elevada em comparação com a realidade da maioria dos brasileiros, o cargo não deveria ser encarado como um caminho para acumulação de patrimônio.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que um magistrado “não pode ter a pretensão de ficar rico” com o exercício da profissão. A declaração foi feita na sexta-feira (21), durante o encerramento do 5º Seminário Nacional da Anamel (Associação Nacional de Magistrados Evangélicos), realizado no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo.
Segundo Mendonça, embora a magistratura ofereça uma remuneração elevada em comparação com a realidade da maioria dos brasileiros, o cargo não deveria ser encarado como um caminho para acumulação de patrimônio.
O ministro afirmou que os magistrados vivem em uma “condição média de vida” acima da média da população, mas continuam tendo de administrar despesas e compromissos financeiros.
Para Mendonça, a prioridade de quem ocupa uma cadeira na magistratura deve ser o serviço à sociedade e à Justiça, e não o enriquecimento.
Levantamento publicado pelo Poder360 comparou a remuneração dos integrantes das supremas cortes de países da América do Sul com a renda média da população. Segundo o levantamento, o Brasil aparece entre os países com maior distância entre a remuneração dos magistrados e a renda média da população.
No Peru, por exemplo, a diferença proporcional é ainda maior: ministros recebem cerca de 43,2 mil sóis, enquanto a renda média da população fica em torno de 1,5 mil sóis.
Em valores absolutos, os ministros brasileiros também estão entre os magistrados mais bem remunerados da América do Sul.
O abono pode chegar ao valor da contribuição previdenciária do magistrado enquanto ele continua trabalhando até atingir a idade da aposentadoria compulsória. Os integrantes da Suprema Corte ainda contam com segurança em eventos públicos e privados.
Durante a palestra, Mendonça fez uma avaliação pessoal de sua trajetória no STF.
O ministro afirmou que os dois primeiros anos na Corte foram de “muita infelicidade”. Segundo ele, chegar ao Supremo representa o “ápice do poder humano” no campo jurídico, mas a posição traz sobretudo ônus e responsabilidade.
Segundo o ministro, a associação com a expressão o levou a passar três anos sem pregar ou exercer atividades eclesiásticas públicas de forma direta.
Outro tema abordado durante o seminário foi a presença de evangélicos na magistratura e em outras carreiras jurídicas.
Mendonça afirmou que dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que há mais ateus e agnósticos entre magistrados do que evangélicos.
Ao falar sobre liderança no Judiciário, Mendonça defendeu ainda um perfil baseado na humildade, ressaltando que isso não significa subserviência.
O seminário teve coordenação acadêmica do próprio ministro e apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e da Amagis-DF. Pela manhã, o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) também participou do evento.





