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Sob cerco dos EUA, Cuba sofre novo apagão nacional e milhões ficam sem luz

A dimensão da crise elétrica cubana não pode ser separada do cerco econômico e energético imposto pelos Estados Unidos, com os colapsos da rede se tornando mais frequentes nos últimos dois anos e que vem se agravando desde janeiro, quando...

Sob cerco dos EUA, Cuba sofre novo apagão nacional e milhões ficam sem luz

Segundo as autoridades cubanas, a falha começou em linhas de transmissão na região oeste e provocou o colapso do sistema até a província de Matanzas. Na sequência, a parte oriental da ilha foi desconectada.

Cuba sofreu nesta sexta-feira (18) mais um apagão nacional após o colapso de seu sistema elétrico, deixando milhões de pessoas sem energia. Segundo a Associated Press, o Ministério de Energia e Minas informou que começou a ativar protocolos de recuperação do serviço depois que a rede caiu em diferentes regiões da ilha.

Segundo as autoridades cubanas, a falha começou em linhas de transmissão na região oeste e provocou o colapso do sistema até a província de Matanzas. Na sequência, a parte oriental da ilha foi desconectada. O jornal estatal Granma informou ainda que condições meteorológicas instáveis agravaram a situação. Ao anoitecer, apenas 5% dos consumidores de Havana tinham recuperado a eletricidade.

A dimensão da crise elétrica cubana não pode ser separada do cerco econômico e energético imposto pelos Estados Unidos, com os colapsos da rede se tornando mais frequentes nos últimos dois anos e que vem se agravando desde janeiro, quando Washington intensificou o bloqueio de combustível com o objetivo declarado de pressionar por uma mudança política na ilha.

Cuba apagão
Foto: Ricardo Arduengo – 16/09/2026/Reuters

O cerco continuou avançando. No início de setembro, os Estados Unidos sancionaram o Banco Exterior de Cuba e outras estruturas financeiras e econômicas. Na quinta-feira (17), apenas um dia antes do novo apagão, Washington anunciou outra rodada contra oito entidades e três dirigentes ligados à exploração de níquel e ao complexo militar-industrial cubano. A ofensiva se soma a outras sanções aplicadas pelo governo Trump ao longo do ano.

As restrições atingem justamente a capacidade de Cuba de importar o combustível necessário às usinas termelétricas e peças para uma infraestrutura envelhecida.

O bloqueio estadunidense não explica sozinho a falha de transmissão desta sexta-feira, mas amplia seus efeitos e reduz a capacidade do país de recuperar e modernizar a rede. É nesse ponto que a política predatória de Washington deixa de ser uma disputa diplomática abstrata e se materializa na rotina da população cubana.

Mesmo quando a rede nacional funciona, moradores enfrentam cortes que podem superar 30 horas consecutivas. A combinação entre apagões e cerco energético já provocou limitações no transporte, redução da jornada de trabalho, cancelamentos de voos e impactos sobre os serviços de saúde. Cozinhar, bombear água e manter internet e telefonia também se tornam tarefas incertas em uma ilha submetida há décadas ao bloqueio estadunidense.