
Flávio declarou que sua amizade com o advogado é “legítima” e classificou como “mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos” tentativas de associar irregularidades à relação entre eles.
A relação entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal no caso das fraudes do INSS, inclui viagens internacionais, imóveis, aeronaves e atuação conjunta em processos judiciais. Com informações do Globo.
Em uma dessas viagens, o senador e sua família voltaram dos Estados Unidos em um jatinho da Prime You, empresa que tinha entre seus sócios Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
O voo ocorreu em janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump. Flávio, a mulher e as duas filhas embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília, acompanhados de Willer e integrantes da família do advogado. Vorcaro permaneceu como sócio direto da Prime You até setembro daquele ano.
Willer afirmou que contratou os serviços da empresa como cliente e que desconhecia a participação de Vorcaro na sociedade. Flávio e o advogado também passaram parte do fim de semana anterior à posse de Trump no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami.
Uma delas ocorreu em março, quando Flávio, nove meses antes de lançar sua candidatura presidencial, viajou para a África do Sul com familiares e amigos. O roteiro de uma semana incluiu um safári e teve também a participação do senador Weverton Rocha (PDT-MA), investigado no caso do INSS.

Uma fotografia encontrada no celular de Willer mostra Flávio, Weverton e o advogado durante a viagem. Os três aparecem usando camisetas com a inscrição “Big Five”, expressão usada em safáris para identificar elefante, leão, leopardo, rinoceronte e búfalo. Segundo Willer, as viagens foram privadas, decorreram de sua amizade com Flávio e foram pagas com recursos próprios.
Em abril, Flávio e Willer viajaram novamente juntos, desta vez para Portugal. No mês seguinte, voltaram à Europa com suas famílias, passando por Portugal e França. E-mails analisados pela PF mostram que uma agência de viagens informou uma funcionária do escritório de Willer sobre a contratação de veículos para traslados em Lisboa e Nice.
Willer afirmou que “jamais manteve” relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro. Flávio declarou que sua amizade com o advogado é “legítima” e classificou como “mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos” tentativas de associar irregularidades à relação entre eles.

O advogado foi alvo de buscas da PF sob suspeita de integrar uma estrutura de apoio a investigados no esquema do INSS. Segundo relatório policial, ele teria funcionado como um “hub financeiro, patrimonial e logístico”, utilizando empresas, imóveis, aeronaves, funcionários e operadores financeiros. Willer afirma que não é investigado por fraudes contra o sistema previdenciário.
A investigação aponta ainda repasses de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer para a mulher do senador.
Outro elo envolve imóveis em Angra dos Reis. Flávio já utilizou propriedades ligadas a Willer, incluindo uma mansão onde comemorou o aniversário de uma das filhas. Uma das propriedades frequentadas pelo senador é administrada pela Prime You, companhia da qual Vorcaro foi sócio até 2025. Willer sustenta que os empréstimos decorreram exclusivamente da amizade com Flávio e que não houve pagamento ou contraprestação.





