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Kassio Nunes manteve 42 processos de Lula contra Flávio Bolsonaro sem decisão

Os processos representavam 43,3% de todas as ações apresentadas pela campanha de Lula e registradas na plataforma do TSE até 16 de outubro. O levantamento, divulgado nesta quarta (21), examinou a tramitação das demandas durante a fase final da disputa...

Kassio Nunes manteve 42 processos de Lula contra Flávio Bolsonaro sem decisão

Nunes Marques, concentrou 42 das 97 ações movidas pela campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro no segundo turno e não decidiu nenhuma delas no período analisado por um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O gabinete do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, concentrou 42 das 97 ações movidas pela campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro no segundo turno e não decidiu nenhuma delas no período analisado por um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Os processos representavam 43,3% de todas as ações apresentadas pela campanha de Lula e registradas na plataforma do TSE até 16 de outubro. O levantamento, divulgado nesta quarta (21), examinou a tramitação das demandas durante a fase final da disputa presidencial.

Na direção oposta, o gabinete de Nunes Marques recebeu 21 das 125 ações apresentadas por Flávio contra Lula, o equivalente a 16,8% do total. Nesse conjunto, houve uma decisão no mesmo intervalo considerado pelo pesquisador.

Nos demais gabinetes, a proporção de processos decididos foi maior entre as ações que já tinham ao menos três dias de tramitação: 22 de 43 demandas de Lula, ou 51,2%, e 38 de 98 ações de Flávio, correspondentes a 38,8%.

O professor de Direito Celso de Oliveira Santos, pesquisador da UERJ, assina o estudo intitulado “Como explicar a letargia do TSE nas eleições mais judicializadas da história do Brasil?”. Pelos cálculos da pesquisa, se o gabinete da Presidência tivesse decidido as ações de Lula na mesma proporção dos demais, seriam esperadas cerca de 19 decisões.

A falta de decisões nos casos envolvendo o segundo turno presidencial não decorreu de paralisação das atividades do gabinete, afirma a análise. Entre 5 e 18 de outubro, o sistema do TSE registrou 100 atos de autoria de Nunes Marques: 56 acórdãos, 39 decisões, três despachos e duas resoluções.

Nesse período, Nunes Marques decidiu nove processos autuados no segundo turno que não tratavam da disputa presidencial e praticou 40 atos em ações entre as campanhas ajuizadas no primeiro turno. O estudo concluiu que a falta de andamento se concentrou nas demandas do segundo turno envolvendo Lula e Flávio.

O gabinete de André Mendonça apresentou uma distribuição inversa, com 48 ações de Flávio e 12 de Lula. A pesquisa também aponta que a demora pode levar à extinção dos processos por perda de objeto após o pleito, retirando riscos jurídicos e reputacionais da campanha que responde às ações.