
“Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!!”. Vorcaro enviou cinco corações e respondeu que também era seu irmão, colocando-se à disposição “a qualquer tempo” e “pra qualquer coisa”.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro revelam uma relação de intimidade entre o ex-dono do Banco Master e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcada por declarações de amizade, troca de informações e pedidos nos bastidores. O material, obtido pela Veja, mostra que o grau de proximidade ia muito além de contatos institucionais entre um banqueiro e o chefe do Congresso.
Uma das conversas ocorreu logo após Alcolumbre ser eleito pela segunda vez presidente do Senado, em 1º de fevereiro de 2025. Vorcaro o parabenizou e desejou sucesso. No dia seguinte, o senador respondeu: “Fala meu amor!”. Em seguida, agradeceu pelo “carinho e amizade fraterna” e afirmou: “Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!!”. Vorcaro enviou cinco corações e respondeu que também era seu irmão, colocando-se à disposição “a qualquer tempo” e “pra qualquer coisa”.
Meses depois da conversa, Alcolumbre chegou a negar a colegas que tivesse relação com Vorcaro quando vieram à tona informações sobre uma tentativa de acordo de colaboração do banqueiro. O material revelado registra não apenas uma relação pessoal antiga, mas um canal mantido entre os dois em momentos politicamente delicados para o Master. Em julho de 2025, por exemplo, Vorcaro escreveu ao senador pedindo notícias de um “nosso amigo”. Alcolumbre respondeu: “Estou em Cima!!! Pressão!!!”.

A relação também aparece em uma sequência envolvendo a tentativa de identificar a origem de informações obtidas por uma jornalista. Em 3 de janeiro de 2025, Vorcaro escreveu a Alcolumbre sobre uma repórter chamada Bruna Lima e afirmou: “Amanhã vamos saber de onde veio o tiro”. O senador respondeu com um anexo. No dia seguinte, voltou a enviar outro arquivo e perguntou posteriormente por novidades.
Os diálogos também colocam Alcolumbre no circuito usado por Vorcaro para acompanhar movimentações de interesse do Master em Brasília. Em julho de 2025, quando a venda do banco para o BRB enfrentava resistência do Banco Central, o banqueiro procurou Hugo Motta em busca de informações sobre uma reunião da autoridade monetária. O presidente da Câmara respondeu que Gabriel Galípolo, presidente do BC, iria à casa de Alcolumbre quando o encontro terminasse e disse que o senador havia telefonado para avisá-lo.

Outras mensagens acrescentam festas e encontros privados ao retrato dessa proximidade. Em um grupo chamado “Macallan”, Vorcaro e Fábio Faria conversaram sobre uma mulher, uma “dupla” e brincaram que Alcolumbre havia aprendido a falar por meio do Google Tradutor e poderia “assustar a menina”. Em outro diálogo, Faria falou em reservar quatro suítes e em fazer “um pacto com Davi”. Conversas sobre mulheres estrangeiras e festas envolvendo o círculo de Vorcaro já haviam aparecido no material apreendido pela PF. Faria contestou a interpretação da Veja sobre parte dos diálogos e afirmou que as quatro suítes se referiam a uma viagem de empresários para tratar de uma possível participação no clube inglês Queens Park Rangers, sem relação com Alcolumbre.
O novo material aumenta a pressão sobre Alcolumbre justamente quando sua postura diante do caso Master está sob escrutínio. O presidente do Senado vinha sendo acusado de dificultar a instalação de uma CPI sobre o banco, e Cristiano Zanin negou nesta semana uma liminar que tentava obrigá-lo a instalar a comissão. Paralelamente, Luiz Fux deu prazo para que o Senado explique registros de acesso de Vorcaro à Casa. Alcolumbre também nega a acusação de que teria recebido US$ 30 milhões do banqueiro, informação que surgiu numa proposta de colaboração de Vorcaro que não foi aceita. As novas mensagens não provam pagamentos ilegais, mas tornam muito mais difícil tratar a relação entre os dois como episódica ou distante.





